“É uma demarcação histórica”, diz Yane Mendes ao celebrar 15 anos de cinema periférico em sessão especial no Cinema São Luiz
- Leandro Lopes

- 6 de mar.
- 2 min de leitura
Sessão especial reúne exibição de curtas, exposição fotográfica e debate sobre criatividade e cultura periférica em um dos cinemas mais simbólicos do Recife
Neste sábado (7), às 17h, o histórico Cinema São Luiz, no centro do Recife, recebe a Sessão Especial – 15 Anos de Cinema Periférico de Yane Mendes. O evento celebra a trajetória da artista negra, favelada, educadora social, fotógrafa e cineasta formada pela Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia, instituição que formava jovens de comunidades periféricas nas áreas de vídeo, fotografia, design e computação gráfica.

Reconhecida nacionalmente por redes de comunicadores de periferia, Yane Mendes destaca o significado simbólico de ocupar um dos espaços mais tradicionais do audiovisual pernambucano. “Exibir filmes no meu estado e celebrar 15 anos de caminhada no cinema é uma demarcação histórica. É afirmar que nossas histórias também pertencem às grandes telas”, afirma.
A programação contará com exibição de curtas-metragens dirigidos pela cineasta, além de uma exposição fotográfica com registros realizados em diferentes estados do Brasil ao longo de sua trajetória artística. O evento também inclui a mesa de debate “Criatividade para Existir”, com participação de MC Hefesto, Jouse Barata, Tássio Russo e Lia Letícia, com mediação da jornalista Ingrid Farias.
Em conversa com a Manguetown Revista, Yane destacou que seu cinema nasce do compromisso de retratar vivências reais das periferias.
“Eu acredito que meus filmes falam sobre denúncias, dores, festas, felicidades e pessoas de verdade. Para mim é muito importante porque quero que esses personagens se vejam numa tela grande e de qualidade do cinema. Também acredito que isso fortalece a importância da cultura de consumir audiovisual do nosso próprio estado, algo que é estimulado a partir dessas ocupações”, afirma.
A cineasta também relembra o início de sua trajetória no audiovisual.
“Comemorar essa trajetória sendo uma mulher preta, favelada, que começou a editar filmes nas antigas lan houses porque nem computador tinha, é dizer que sonhar, correr atrás e aproveitar as oportunidades me mantêm firme no querer produzir sobre o meu povo”, completa.
A realização do evento se viabiliza com a força coletiva da Rede Tumulto, coletivo coordenado por Yane Mendes ao lado de Fernanda Paixão, Gilmara Santana e Flora Rodrigues. A sessão também conta com o apoio do Instituto PACS e do Perifa Connection, fortalecendo o convite realizado pelo Cinema São Luiz para celebrar os 15 anos de produção audiovisual da artista.
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