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Turma do Pancadão: o bloco de samba que resiste há mais de 23 anos na cidade de Paulista

Fundado no bairro de Arthur Lundgren II, o bloco atravessa gerações e se consolida como símbolo de resistência e identidade cultural


Nascida da vontade de fazer samba durante o Carnaval, a Turma do Pancadão foi fundada em 27 de julho de 2003. Em 2026, o grupo completou 23 anos de história e segue como o único bloco de samba em atividade na cidade de Paulista.


Em entrevista exclusiva à Manguetown Revista, o fundador e presidente Giovanni Bezerra da Costa, a vice-presidente Neide Maria de Freitas e o diretor Hélio Artur Breckenfeld relembraram a origem do grupo, os desafios enfrentados ao longo da trajetória e a importância de manter viva a tradição do samba no município.


"É o único bloco que está resistindo. São 23 anos e a gente nunca deixou de sair" conta Giovanni Bezerra.


Turma do Pancadão, bloco de samba de Paulista Arthur Lundgren II, Pernambuco.
Turma do Pancadão. - Foto: Arquivo pessoal do grupo/Divulgação

Origem


Ao perceber que, entre o domingo e a terça-feira de Carnaval, a segunda-feira não contava com programação no bairro, Giovanni reuniu amigos para criar um bloco de samba que ocupasse esse espaço. A iniciativa surgiu de forma totalmente independente, sustentada por recursos próprios e pelo envolvimento da comunidade.


"Eu ganhei 15 instrumentos. Aí começamos a fazer ensaio aqui e fui fazendo uma triagem com o pessoal. Veio muita gente e, de 15 pessoas, saímos na primeira vez com 20 pessoas", relembra Giovanni.


A primeira saída do bloco aconteceu às 11h da manhã e reuniu apenas alguns moradores da rua e familiares dos ritmistas.


"Uma pessoa, dona Zezé, que hoje já é falecida, chegou e disse: 'Mude esse horário, bote para as quatro horas da tarde'. Depois que fizemos isso, o pessoal começou a abraçar a nossa causa e a nossa ideia", conta.


O bloco


Hoje, a Turma do Pancadão reúne entre 50 e 75 ritmistas e conta com uma diretoria formada por 10 pessoas. Toda a estrutura do bloco continua sendo construída de forma independente.


"O recurso e a mão de obra estão aqui entre a gente. Tivemos ajuda de alguns vereadores: primeiro Marcílio da Silva, depois Régio da União, em seguida Camelo, que passou oito anos com a gente, e atualmente contamos com Kennyo Miguel, que tem ajudado na documentação. Mas a mão de obra, o financeiro e a organização são dos diretores", explica Giovanni.


Além dos desfiles, o bloco também tem o objetivo de aproximar crianças e adolescentes do samba e da cultura popular, com oficinas abertas para os jovens da comunidade. 


"Toda vez que a gente começa os ensaios, também começam as oficinas. Eu chamo a molecada da rua porque você tira essas crianças de outras situações que a sociedade pode oferecer e traz para um ambiente bom e familiar. Aqui todo mundo se ajuda, todo mundo se conhece e todo mundo é unido", afirma Hélio Artur.


Turma do Pancadão, bloco de samba de Paulista Arthur Lundgren II, Pernambuco.
Turma do Pancadão em desfile, 2024.Foto: Arquivo pessoal

Desafios e dificuldades 


Em 2026, a Turma do Pancadão completa 23 anos de existência, uma trajetória marcada pela persistência diante das dificuldades enfrentadas pelos fazedores de cultura em Paulista.


Mesmo com o crescimento da valorização da cultura popular, os integrantes avaliam que o incentivo ainda é insuficiente.


"Falta um pouco mais de cultura, de abraçar a nossa causa. Aqui em Paulista tínhamos quase 15 brincadeiras. Hoje só restam duas", lamenta Giovanni.


Apesar da realização em manter o bloco ativo por mais de duas décadas, o presidente afirma que o maior desejo é conquistar condições para levar o grupo a outras cidades.


"Infelizmente, para desfilar em outro lugar, precisamos de manutenção e recursos. Se vamos fazer uma apresentação fora, temos que pagar a Kombi, o lanche da garotada e uma ajuda de custo para eles", explica.


Futuro


Mesmo diante dos desafios, a Turma do Pancadão segue crescendo e mantendo o propósito que motivou sua criação: fortalecer o samba e a cultura popular dentro da comunidade.


"Daqui para frente, espero que esse bastão seja passado. Quem herdar essa responsabilidade precisa conhecer nossa identidade, nosso objetivo e não perder a essência. O pensamento deve continuar sendo trabalhar pela comunidade e manter vivo o samba em Paulista, que já é tão escasso", afirma Hélio Artur.


Além da continuidade do bloco, os integrantes desejam que todos os grupos culturais do município recebam mais incentivo.


"Eu espero que, daqui a 10 anos, estejamos melhores, que a prefeitura nos dê mais suporte e nos procure. Nossa escola já tem 23 anos e, até hoje, quem mais chega junto são alguns vereadores", diz Neide Maria.


Quando perguntados sobre qual mensagem gostariam de deixar para quem ainda não conhece a Turma do Pancadão, Giovanni e Neide respondem de forma simples:


"Que venham nos conhecer."


Para Hélio Artur, existe uma palavra que resume a história do bloco. "Pancadão é alegria. Muita alegria, de verdade. A gente faz um esforço enorme para colocar o bloco na rua e, quando ele sai, o povo fica animado, feliz e espera por esse momento. Para mim, a palavra que define o Pancadão é alegria."


Entre percussão, ensaios e diversas gerações, a Turma do Pancadão segue mostrando que resistir também é uma forma de fazer samba e de manter viva a cultura popular de Paulista.


Conheça a Turma do Pancadão nas redes sociais:







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