Allura une moda, cultura popular e arte drag em uma criação marcada pela reinvenção
Este ensaio documental e de moda investiga a nova cena criativa do Recife, focando em estilistas que utilizam a costura como base para narrativas de futuro. O projeto destaca dois pilares principais: a sustentabilidade, por meio do uso de tecidos orgânicos, do upcycling e da valorização do fazer manual local como resposta à crise climática; e a estética autoral, caracterizada pela fusão de elementos tradicionais pernambucanos com as linguagens próprias de cada artista, explorando como essas relações projetam o futuro da moda pernambucana.
As imagens buscam capturar a dualidade de uma cidade que é, ao mesmo tempo, tecnológica e artesanal, evidenciando que a moda pernambucana está na vanguarda das discussões sobre identidade, inovação e preservação cultural.
A artista pernambucana Allura constrói sua trajetória na moda a partir do encontro entre herança familiar, cultura popular e expressão artística. Costurando desde 2019, ela encontrou na criação de roupas uma forma de transformar em matéria suas referências visuais e sua vivência como artista drag. O interesse pela moda surgiu ainda na adolescência, impulsionado pela ilustração e pelo desejo de dar autonomia às próprias criações.
Vinda de uma família profundamente ligada à cultura pernambucana, Allura carrega influências que atravessam gerações. Neta do radialista Luiz Queiroga e da cantora Mêves Gama, além de sobrinha dos artistas Lula Queiroga e Nena Queiroga, a criadora entende a cultura popular como um organismo vivo, em constante transformação. Em seu trabalho, tradição e contemporaneidade coexistem, afastando-se de visões que associam o patrimônio cultural apenas ao passado.
Sua produção também dialoga com as experiências da arte drag e das identidades dissidentes, abordando questões de pertencimento, gênero e representação. Ao mesmo tempo, suas referências transitam entre o universo digital, a moda autoral brasileira e a criatividade presente em manifestações populares como as quadrilhas juninas. Para Allura, a potência criativa nasce justamente da capacidade de reinventar materiais, linguagens e imaginários, transformando escassez em inovação e expressão artística.
.png)







































