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Pernambuco: imaginar o futuro

Ao completar três anos, a Manguetown Revista apresenta uma edição especial com textos, ensaios, reportagens e fotografias que revelam a força, a diversidade e a criatividade de Pernambuco. Entre tradições e novas perspectivas, celebramos a grandiosidade da cultura pernambucana e convidamos você a imaginar, junto conosco, os futuros possíveis que já começam a ser construídos no presente.

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Pernambuco em textos

Editores, editoras e repórteres da Manguetown Revista se aprofundaram, por mais um ano, em histórias, curiosidades e acontecimentos de todas as regiões de Pernambuco, muitos deles pouco mencionados ou simplesmente ignorados pelas mídias tradicionais. Aqui, você conhecerá diversos profissionais que utilizam a arte como ferramenta para fortalecer e elevar ainda mais toda a potência cultural que Pernambuco representa.

Editorial

Pernambuco: imaginar o futuro!

Há três anos, a Manguetown Revista nasceu de uma inquietação: a de contar Pernambuco para além das versões prontas. Falar da cultura pernambucana não apenas como memória, mas como movimento. Como algo vivo, em disputa e em constante transformação.

Desde então, atravessamos shows em bairros periféricos, festivais independentes, salas de cinema resistentes, teatros pulsando mesmo diante da precarização, coletivos reinventando linguagens e artistas criando futuros possíveis em meio ao caos. Acompanhamos uma geração que não espera autorização para existir. Ela cria, ocupa, produz e ressignifica.

Chegar aos três anos é também olhar para frente.

Por isso, esta edição especial propõe um exercício coletivo: imaginar o futuro de Pernambuco. Mas não um futuro distante, tecnológico e frio como normalmente nos vendem. O futuro que nos interessa nasce da lama, do pífano, do batuque, das ruas, dos interiores, das memórias familiares, dos corpos dissidentes, da cultura popular e da reinvenção cotidiana feita por artistas pernambucanos agora.

Ao longo desta edição, percorremos a Região Metropolitana, a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão para entender como a cultura do estado está sendo transformada por uma nova geração de criadores. Gente que dialoga com tradição sem ficar presa a ela. Que entende ancestralidade não como nostalgia, mas como ferramenta de construção.

Falamos sobre cinemas periféricos tentando sobreviver enquanto reinventam formas de exibição. Sobre o teatro do Sertão que resiste há duas décadas longe dos grandes centros. Sobre escritores negros construindo novos imaginários literários. Sobre o pífano ecoando entre juventudes do Agreste.

 

Sobre artistas que unem tecnologia, moda, sustentabilidade e identidade pernambucana. Sobre um Recife que cresce verticalmente enquanto disputa sua própria memória.

Esta não é uma edição sobre tendências.

É uma edição sobre permanência.

Sobre artistas que insistem em criar mesmo diante da ausência de incentivo, da centralização cultural e das dificuldades históricas que atravessam a produção artística no estado. É sobre quem transforma precariedade em linguagem. Quem transforma território em arte. Quem transforma memória em possibilidade.

Talvez imaginar o futuro de Pernambuco seja justamente isso: perceber que ele já está acontecendo. Nos interiores. Nos coletivos independentes. Nas ocupações culturais. Nos festivais pequenos. Nos grupos de teatro de rua. Nos estilistas experimentais. Nos cineclubes. Nos novos escritores. Nos músicos que misturam tradição e ruído eletrônico. Nos jovens que entendem cultura como ferramenta de transformação social.

A Manguetown Revista completa três anos acreditando nisso.

Acreditando que o jornalismo cultural também pode ser espaço de escuta, preservação e invenção. Que registrar artistas independentes é registrar o próprio tempo. E que contar histórias sobre Pernambuco é, acima de tudo, disputar quais futuros queremos construir.

Seguimos daqui, entre a memória e o amanhã.

Porque Pernambuco nunca parou de imaginar o futuro.

Leandro Lopes, Editor-Chefe da Manguetown Revista 

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