A construção cênica e territorial de Rosberg Aldoney na prosperidade artística no interior de Pernambuco
- Caio Moraes

- há 8 horas
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O multiartista detalha sua atuação cênica no assentamento Canudos Rachada e o papel da cultura na transformação
A cena cultural de Pernambuco possui ramificações que ultrapassam os limites da capital. Ao celebrar três anos de atividade documentando o cenário criativo do estado, a Manguetown Revista direciona seu olhar para a Mata Sul. É nesse recorte geográfico e social que a trajetória do caruaruense Rosberg Aldoney ganha contornos firmes, unindo a artisticidade à militância territorial.

Com quase duas décadas de atuação, o produtor cultural precisou expandir suas habilidades criativas logo cedo para viabilizar seus próprios espetáculos. Essa necessidade prática o levou a dominar áreas como figurino, cenografia e musicalidade. Como o próprio artista pontua, ele transita por diferentes frentes do fazer cultural e sua produção atua sempre "por períodos", dividindo-se organicamente entre a palhaçaria, o cinema, a escrita e as artes visuais.
O encontro com a terra e os desafios encontrados
A interseção de sua arte com a realidade do interior pernambucano ocorreu a partir de sua formação em comunicação popular pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A convite de parceiros do movimento, Rosberg passou a integrar o corpo docente da escola de artes do assentamento Canudos Rachada, no município de Água Preta, na Zona da Mata pernambucana. O projeto exigia enfrentar não apenas a escassez de recursos, mas também a barreira do distanciamento geográfico.

O oficineiro recorda que, para acessar a comunidade, precisava estar atento a estradas sem sinalização, dependendo frequentemente do acolhimento dos moradores que o esperavam na beira da pista. Mais do que os desafios logísticos, a implementação das aulas esbarrou em questões subjetivas da região.
"Uma das maiores dificuldades é tentar colocar a arte como ferramenta de transformação social no interior do estado de Pernambuco, na Mata Sul. É um lugar, um vilarejo, completamente dominado pelo conservadorismo e pela religiosidade. Não estou falando nada contra os aspectos e o meio religioso em relação aos cristãos, aos evangélicos, mas havia algumas coisas que eles não tinham essa relação de pertencimento", explica o ator.
A estratégia pedagógica e artística para estabelecer um diálogo horizontal com o assentamento foi o uso da comicidade. Segundo ele, foi justamente "através do riso" que a equipe conseguiu firmar uma conexão real, “trazer um sentimento de comunidade, de abraço. Apesar das diversidades, dos preconceitos, do conservadorismo, de todas as dificuldades, a gente conseguiu ser abraçados por eles e abraçar eles também”, disse.
“A arte é a cesta básica”
Para Adoney, descentralizar as artes cênicas é o princípio básico de sua visão de mundo. Ele compreende que inserir manifestações artísticas em espaços de vulnerabilidade social estimula a escuta, a empatia e a convivência. O multiartista defende que o ser humano tem uma necessidade estrutural pela cultura, afirmando que "a arte é a cesta básica".
"O teatro é uma ferramenta de comunicação, assim como outras linguagens artísticas. Levar a arte para espaços que não a têm, para espaços de vulnerabilidade social, para locais ausentes de atividades e ações artísticas, é fundamental. Afinal, a arte é uma ferramenta de transformação social, é a cesta básica”, afirma.
Planos futuros em cena
Essa perspectiva não nasce do acaso, mas é fruto direto de sua própria origem no Teatro Experimental de Arte de Caruaru, um programa social de formação gratuita que o impulsionou para a carreira nos âmbitos sociais e teatrais.
"Temos uma atenção, um carinho por esse assentamento, por esse lugar, por essas pessoas que residem lá", diz Rosberg sobre o projeto em Água Preta, garantindo a continuidade da Escola de Artes e também planeja circular com seus espetáculos na região.

Em Caruaru, o plano é criar um festival de teatro com a Trupe Veja Bem Meu Bem. Na música, ele celebra as indicações a prêmios por "Ser Negro" e define sua obra autoral: "falo sobre existência, militância, resistência, natureza, negritude".
Com a agenda de São João voltada para a palhaçaria e o forró, ele foca na sua pluralidade para os próximos passos.
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