Exposição virtual “Mukua” revela novas perspectivas sobre os baobás de Pernambuco
- Maria Eduarda Silva

- 2 de mai.
- 2 min de leitura
Entre fotografia, memória e ancestralidade, projeto transforma baobás em protagonistas de narrativas sobre identidade e território em Pernambuco

Símbolos de ancestralidade, resistência e memória viva, os baobás espalhados por Recife e outras regiões do estado ganham um novo olhar na exposição virtual “Mukua”. O projeto, idealizado pelo fotógrafo e pesquisador pernambucano Mateus Guedes em parceria com a produtora cultural Ana Sofia, propõe uma imersão sensível e contemporânea sobre essas árvores centenárias, ampliando sua leitura para além da paisagem.
Incentivado pela Lei Paulo Gustavo Pernambuco, “Mukua” nasce como uma pesquisa fotográfica teórico-prática que investiga a relação entre os baobás, os territórios e as pessoas. O nome do projeto vem do fruto da árvore e traduz bem sua proposta que é revelar as camadas simbólicas, afetivas e históricas de cada exemplar registrado. Mais do que elementos naturais, os baobás são apresentados como sujeitos que carregam narrativas profundas sobre a presença negra e a formação cultural do estado.
A exposição reúne cerca de 30 fotografias produzidas com técnicas diversas, que combinam câmeras digitais, analógicas e instantâneas. Esse processo confere às imagens um caráter experimental e orgânico, reforçando a ideia de que cada árvore possui uma identidade própria. Disponível online, o ambiente digital também conta com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, ampliando o alcance da experiência.

O percurso da pesquisa atravessa diferentes territórios pernambucanos. No Recife, 13 baobás foram registrados, incluindo exemplares emblemáticos como os da Praça da República, da Faculdade de Direito e do Jardim do Baobá, nas Graças. Já no interior, o projeto alcança cidades como Ipojuca, Vicência, Limoeiro e Sanharó, revelando a presença desses gigantes em contextos urbanos e rurais. Entre eles, destaca-se o Baobá da Vila de Nossa Senhora do Ó, com mais de 300 anos, considerado uma relíquia da flora brasileira.
Além da exposição, o projeto também investe em ações formativas. Como contrapartida social, foi realizada uma visita guiada ao Jardim do Baobá com estudantes da rede pública, promovendo reflexões sobre história, escravidão, cultura afro-brasileira e a relação dessas árvores com o território, especialmente com o Rio Capibaribe, que margeia o espaço.
“Mukua” dá continuidade a uma trajetória de pesquisa iniciada por Mateus Guedes em 2019. Em projetos anteriores, como “Raízes” e o curta documental “Jardim Ancestral”, previsto para lançamento em 2027, o artista já vinha mapeando e documentando os baobás de Pernambuco, consolidando um trabalho que cruza arte, memória e identidade. Ao transformar essas árvores em protagonistas, a exposição convida o público a enxergar os baobás como arquivos vivos do tempo.
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