Lúcio Maia: a guitarra como rotina, a maturidade como linguagem
- Manguetown Revista

- há 38 minutos
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Em novo trabalho solo, guitarrista revisita sua trajetória musical e apresenta álbum homônimo em show no Recife
O guitarrista e um dos fundadores da Nação Zumbi, Lúcio Maia, apresenta neste domingo (6), no Estelita, na Zona Sul do Recife, seu segundo trabalho solo, o álbum Lúcio Maia. A apresentação acontece na Avenida Saturnino de Brito, 385, no bairro do Cabanga. Há mais de três décadas, o músico participa da construção de uma das estéticas mais marcantes da música brasileira contemporânea. Como integrante da Nação Zumbi, ajudou a consolidar o manguebeat e levou a sonoridade pernambucana para além das fronteiras do estado. Agora, em seu novo trabalho, coloca a própria trajetória no centro da criação.

Em entrevista à Manguetown Revista, Lúcio Maia fala sobre a fase atual da carreira e define o momento como de maturidade. “Estou no momento da minha carreira de muita maturidade. Me enxergo hoje como operador da música”, afirma. Para ele, o álbum não representa uma ruptura com o passado, mas um retrato de quem é atualmente. “Representa o que eu sou nesse momento.”
A escolha do título homônimo reforça essa ideia. O primeiro trabalho solo do músico, lançado em 2019, também recebeu o nome Lúcio Maia. Agora, a decisão passa a representar uma assinatura para os próximos trabalhos. “É o meu nome de batismo, é o meu nome artístico. É o que eu preciso colocar na frente”, explica.
A relação com a guitarra permanece intacta desde a adolescência. Começou aos 13 anos e nunca interrompeu a prática diária. “Toco porque gosto. É minha rotina, meu hobby. Me traz tranquilidade e satisfação.” Ao longo de mais de quatro décadas, forjou um estilo próprio até reconhecer nele a própria digital. “Acho que atingi o objetivo.”
O método de criação, no entanto, se transformou. Nos tempos da Nação Zumbi, o processo era coletivo, quase cooperativo. Hoje, Lúcio prefere a solidão do estúdio. Compõe sozinho, parte quase sempre do riff de guitarra e só depois convida outros músicos. “Consigo falar sobre mim mesmo de uma maneira mais objetiva. Não tem a ver com ego. É uma forma de falar o meu idioma de maneira direta.”
A espontaneidade continua sendo regra. Ele grava em excesso e depois escolhe. “Não tenho dificuldade de criar. Tenho dificuldade de escolher.” As canções nascem do estado de espírito do momento e só depois recebem estrutura. “A única forma de atingir o coração de alguém é sendo sincero consigo mesmo.”
Mesmo valorizando o passado, Lúcio relativiza a ideia de pioneirismo. A mistura de referências locais e universais, segundo ele, já existia antes — na Tropicália, em Bola Sete, na Bossa Nova. “A gente só fez da nossa forma.”
Sobre a cena pernambucana, o músico é direto e afetuoso ao mesmo tempo. Recife segue sendo, em sua visão, um dos polos culturais mais potentes do país, ainda que careça de espaço e de políticas mais robustas. “Tudo que sai daqui é interessante, inovador. A cultura pernambucana é uma das mais ricas do Brasil.”
O show no Recife ganha ainda um significado especial por acontecer na cidade natal do músico. “Vou tocar na minha cidade natal, uma cidade pela qual eu devo tudo. Toda a minha bagagem cultural, família, filhos, amigos”, afirma. Sobre a apresentação, Lúcio espera uma noite de encontro com o público: “O show está bem amarrado. Vamos nos divertir.”
Para Lúcio Maia, o futuro permanece aberto. A única certeza é a permanência da música. “Enquanto eu tiver saúde, vou estar envolvido com ela. Não é esforço. É satisfação.”
No Estelita, no próximo domingo, essa satisfação se torna partilha. Um músico que já ajudou a definir uma geração agora se apresenta como quem é: alguém que ainda encontra na guitarra a forma mais honesta de estar no mundo.
Serviço
Local: Estelita — Av. Saturnino de Brito, 385, Cabanga, Zona Sul do Recife
Data: Domingo, 6 de setembro
Atração: Lúcio Maia Evento: Apresentação do álbum Lúcio Maia
Matéria escrita por Eduardo Rocha, da Manguetown Revista, e revisada por Leandro Lopes, da Manguetown Revista.
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