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Projeto promove fortalecimento cultural e ensino da língua Yaathe em Águas Belas, no Agreste pernambucano

Através do audiovisual, iniciativa perpetua vínculos identitários e memória indígena


Foto: Mateus Guedes
Foto: Mateus Guedes

Diante da busca por preservar e perpetuar o ensino da língua Yaathe, considerado o único idioma indígena vivo do Nordeste brasileiro, uma iniciativa une o audiovisual e ações pedagógicas para aproximar as tradições do povo Fulni-ô do cotidiano das novas gerações da aldeia. O projeto YAATHE nasce a partir do diálogo com lideranças, educadores e pesquisadores indígenas, e resultou em um produto audiovisual produzido dentro da comunidade, localizada em Águas Belas, no Agreste pernambucano.


Tendo a tradição como protagonista das telas que ocupam as salas de aula na Aldeia Fulni-ô, o exercício cinematográfico surge a partir da percepção de um cenário delicado: embora o povo Fulni-ô reúna cerca de sete mil pessoas em Águas Belas, apenas aproximadamente 500 ainda falam fluentemente o Yaathe. A língua, que sobreviveu a séculos de colonização, repressão e apagamento cultural, chegou até mesmo a ser proibida durante o século XX e hoje enfrenta o desafio da continuidade entre crianças e jovens.


Nesse sentido, a produtora Tempoo – junto com o trabalho de pesquisa de Mateus Guedes e Fábia Fulni-ô, roteiro e direção de Mateus Guedes, e produção executiva de Ana Sofia –, realizou uma pesquisa teórico-prática que reúne as linguagens do cinema, música, design, ilustração e motion graphics. O processo culminou em uma vídeoaula piloto criada para auxiliar práticas de alfabetização e letramento em Yaathe, bem como fortalecer vínculos afetivos, memória, identidade e pertencimento cultural.


Alinhado aos próprios modos de circulação de conhecimento do povo Fulni-ô, o conteúdo, neste primeiro momento, será entregue à coordenação pedagógica da aldeia, que definirá como ele deve ser distribuído nas escolas indígenas locais. O planejamento é que, após isso, o material também possa ser disponibilizado para o público externo à comunidade.


“Ao unir arte, tecnologia, pesquisa e educação intercultural, o projeto constrói um modelo experimental de preservação linguística que poderá inspirar futuras iniciativas em territórios indígenas de diferentes regiões do país”, expressa Mateus Guedes, pesquisador, roteirista e diretor do projeto YAATHE.


Foto: Mateus Guedes
Foto: Mateus Guedes

Da comunidade, para a comunidade


Para além do produto audiovisual, o Projeto YAATHE também promoveu atividades pedagógicas nas escolas da aldeia como complemento das ações da iniciativa. Nesta etapa, ocorreram aulas experimentais na Escola Indígena Fulni-ô Marechal Rondon, nas unidades de Ensino Fundamental e Ensino Médio, em parceria com Fábia Fulni-ô, Hugo Fulni-ô e Waya Fulni-ô, integrantes da produção local. Os momentos foram conduzidos pelo professor Riury Marques de Melo, integrante do corpo docente da comunidade.


Nos encontros, os estudantes tiveram o acesso prévio ao material produzido, e a ação funcionou como um espaço de escuta e observação metodológica, o que permitiu que o projeto fosse ajustado de acordo com a resposta da comunidade.


Realizado com incentivo da PNAB PE e também do Funcultura, fundo do Governo de Pernambuco por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o trabalho conta ainda com uma equipe de profissionais indígenas e não indígenas, incluindo trabalhadores da própria aldeia, o que também contribuiu para o movimento da economia  criativa local. 


Mais do que ensinar palavras, toda a realização compreende o audiovisual como ferramenta de preservação cultural e fortalece, com respeito e responsabilidade, os vínculos identitários e a memória indígena.


 
 
 

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