Memória e renovação: Geração Mangue completa três décadas de história
- Maddu Lima

- há 2 dias
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Entre desafios, mudanças e perdas, a Geração Mangue segue se reinventando e resistindo desde 1996.
Em entrevista exclusiva, a Manguetown Revista conversou com Segundinho Spider, idealizador, vocalista e guitarrista da Geração Mangue, banda fundada no Alto do Pascoal, na Zona Norte do Recife, que celebra 30 anos de trajetória marcada por um princípio: dar voz às periferias por meio de músicas que abordam vivências urbanas, cultura popular e resistência nas comunidades periféricas.
"A vontade de fazer música e de falar sobre a realidade das comunidades continua a mesma. Hoje, porém, carregamos a experiência de três décadas de estrada e de resistência como uma banda autoral independente.", conta Segundinho Spider.

A perda de Nildo Gaspar
Um mês após celebrar os 30 anos de existência, a Geração Mangue precisou lidar com a perda de um de seus integrantes, Nildo Gaspar, um dos momentos mais difíceis da história da banda.
"Além de músico, Nildo era um dos pilares da banda, um amigo e um irmão de caminhada. Sua partida nos trouxe dor, mas também a consciência de tudo o que construímos juntos.", reflete Segundinho Spider.
A perda fez com que a banda precisasse encontrar forças para reorganizar seus caminhos e fortalecer os laços construídos ao longo de três décadas. A forma encontrada para honrar a memória de Nildo foi seguir em frente.
"O legado de Nildo permanece vivo nas músicas, nas ideias, na história da banda e em cada palco que ocupamos. Muitas das conquistas da Geração Mangue têm a participação dele, e sua contribuição faz parte da identidade da banda para sempre", afirma.
Em 2026, a banda não celebra apenas 30 anos de trajetória, mas também a importância de Nildo Gaspar nessa história.
"Sua presença continua conosco por meio da música, das lembranças e do compromisso de manter viva a essência da Geração Mangue", diz Segundinho Spider.

Nova formação
A banda, que anteriormente era composta por Wagner Santos na guitarra, Nildo Gaspar no contrabaixo, André Silva na bateria e Segundinho Spider no vocal e na guitarra, chega aos 30 anos com uma nova formação.
Permanecem Wagner Santos e Segundinho Spider, enquanto Robson Santos (bateria), Eduardo Caldas (contrabaixo), Ras Henrique (percussão e efeitos) e DJ Phino passam a integrar o grupo.
"A Geração Mangue sempre teve como característica somar diferentes referências sem perder sua identidade. Com os novos integrantes, a banda ganhou novas ideias, novas possibilidades de arranjos e uma dinâmica renovada, mantendo a essência do Rockmangue", explica Segundinho Spider.

A nova formação abre espaço para novas possibilidades sem abandonar as raízes, o propósito e a identidade construídos ao longo dessas três décadas.
"A Geração Mangue de hoje não é exatamente igual à de 1996, mas continua carregando a mesma alma, a mesma consciência social e o mesmo compromisso com a música autoral e com a realidade do povo que sempre representamos", afirma.
O Rockmangue em transformação
O Rockmangue, gênero criado pela banda, também se transformou ao longo dos anos. À medida que a Geração Mangue evoluiu, sua sonoridade passou por novas experimentações e caminhos.
"Hoje, o Rockmangue é uma sonoridade livre. Mais do que misturar ritmos, é uma maneira de traduzir a realidade do povo através da música.", explica Segundinho Spider.
A entrada de DJ Phino simboliza parte dessa reinvenção e do novo ciclo vivido pela banda.
"Sua experiência e linguagem musical trazem elementos como scratches, samplers, efeitos e intervenções sonoras que ampliam as possibilidades do Rockmangue, sem que a banda perca sua identidade construída ao longo de quase 30 anos", conta.
Além disso, a proposta é aproximar o universo eletrônico dos elementos orgânicos que já fazem parte da sonoridade da Geração Mangue.
Trinta anos de resistência
Em 2026, a banda vive um novo ciclo marcado pela renovação, pela superação e pela busca de novas possibilidades, sem perder a identidade e a essência construídas desde 1996.
Celebrar três décadas de história também é um momento de reconhecer o caminho percorrido e projetar o futuro, mantendo o desejo de seguir em frente.
"O que nos motiva a continuar é perceber que a mensagem da Geração Mangue continua atual. As questões sociais, a realidade das periferias, a luta por dignidade, respeito e oportunidades ainda fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, e a música continua sendo uma forma poderosa de expressar essas vivências", afirma Segundinho Spider.
Além de levar sua mensagem adiante, o amor pela música e a persistência são características que definem a banda. Diante das dificuldades, seus integrantes entendem que a trajetória não se sustenta apenas pelo talento, mas também pela dedicação, pela paciência e pelas parcerias construídas ao longo do caminho.
"A Geração Mangue só chegou até aqui graças à união dos seus integrantes ao longo dos anos, ao apoio da família Geração Mangue, dos amigos, dos parceiros e do público que sempre acreditou no nosso trabalho", destaca.
A banda também vem dialogando com as novas gerações, seja pelas plataformas digitais, pelos festivais, pelas redes sociais ou pelo próprio público que apresenta o trabalho do grupo a novos ouvintes.
"Ver pessoas de gerações diferentes cantando as mesmas músicas e se identificando com temas como resistência, identidade, desigualdade social e superação é uma das maiores recompensas dessa trajetória. Isso nos mostra que a história da Geração Mangue continua sendo construída e compartilhada entre aqueles que nos acompanham há anos e aqueles que estão chegando agora à família Geração Mangue", conta Segundinho Spider.
Futuro
A banda chega aos seus 30 anos com o desejo de continuar construindo história.
"Queremos seguir criando, lançando novas músicas, realizando shows, ampliando nosso público e fortalecendo cada vez mais a família Geração Mangue. Também desejamos que nossa trajetória possa inspirar novas gerações de artistas a acreditarem na força da música autoral, da cultura independente e da perseverança", diz Segundinho Spider.
Em busca de um futuro de continuidade, a banda pretende manter sua essência sem deixar de experimentar e se reinventar.
"Se os primeiros 30 anos foram de resistência, queremos que os próximos sejam de renovação, de encontros com novas gerações e da permanência da nossa mensagem através do tempo.", conclui.
Conheça a Geração Mangue:
Redes sociais: @geracaomangueoficial
Quem faz a Geração Mangue:
Wagner Santos (Guitarra): @wagnerlupofan
Robson Santos (Bateria): @r9b5om_j05e
Eduardo Caldas (Contrabaixo): @eduardo_caldasp
Ras Henrique (Percussão de efeitos): @ras_henrique_rost
Segundinho Spider (Voz e Guitarra): @segundinho_spider
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