"Ẹbu Lùlù" mapeia ateliês percussivos de Pernambuco e revela os bastidores da cultura popular
- Leandro Lopes

- há 2 horas
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Projeto mergulha nos espaços de criação de mestres e mestras da percussão pernambucana e destaca os saberes, sons e memórias por trás dos instrumentos tradicionais do estado
O som nasce antes mesmo da batida. Surge nas mãos marcadas pelo tempo, no cheiro da madeira recém-cortada, no couro sendo esticado com precisão, no cuidado silencioso de quem transforma matéria em ritmo. É nesse universo de criação artesanal que o projeto "Ẹbu Lùlù" se debruça ao mapear ateliês percussivos de Pernambuco e lançar um olhar sensível sobre os mestres e mestras responsáveis por construir instrumentos que atravessam gerações e sustentam a pulsação da cultura popular do estado.

Idealizado pelo fotógrafo Hassan Santos, o projeto percorreu oficinas e espaços criativos de artesãs e artesãos ligados à fabricação de instrumentos utilizados em manifestações como maracatu, coco, samba, capoeira, frevo e forró.
A pesquisa fotográfica visitou os ateliês de Diane Agbês, Flávia Foguinho, Abílio Sobral, Biano Pajeú, Chico Nunes, Cristiano Castanho, Charles Lemos, Iran Silva, Heverton Lima (Bolinho), Mestre Jó Percussivo, Mano Black e Mestre Mau — Maureliano Ribeiro, homenageado em memória pela contribuição fundamental à cultura percussiva pernambucana.
Entre cabaças, ferragens, miçangas, ferramentas e poeira, o projeto encontrou espaços onde o tempo parece seguir outro compasso. Lugares em que fabricar uma alfaia, um agbê ou um pandeiro exige mais do que técnica: demanda escuta, paciência e uma relação íntima com o som.
“Esta pesquisa é o início de um registro dedicado a pessoas que consagram suas vidas aos sons da percussão”, afirma Hassan Santos. “Foi um privilégio conhecer a intimidade de lugares onde nascem os instrumentos e onde diferentes gerações mantêm vivos saberes raramente escritos”, completa.
Inspirado na língua Yorùbá, o nome do projeto carrega a própria essência dessa experiência. “Ẹbu” remete ao espaço de criação, ao ateliê, ao lugar do fazer; “Lù” significa tocar, bater, produzir som; e “Lùlù” intensifica essa ação, evocando ritmo, vibração e musicalidade.
“O próprio nome já soa como percussão. É um convite sensorial à escuta e ao encantamento”, explica Marconi Bispo, consultor do projeto e sacerdote do candomblé.
Os retratos produzidos por Hassan Santos mostram que os instrumentos são extensões dos corpos de seus criadores. Obras vivas que continuam pulsando nas mãos de percussionistas, nos cortejos populares, nos terreiros, nos palcos e nas ruas. Em meio à velocidade do cotidiano contemporâneo, Ẹbu Lùlù também evidencia a resistência do fazer artesanal e a importância de preservar conhecimentos transmitidos oralmente ao longo dos anos.
O projeto propõe uma travessia poética pelos sons, silêncios e movimentos que sustentam tradições coletivas profundamente enraizadas na cultura pernambucana. Um convite para entrar nesses ateliês e perceber que cada tambor carrega consigo muito mais do que música: carrega histórias, ancestralidade e pertencimento.
Para conhecer mais sobre o projeto, o público pode acompanhar o perfil oficial no Instagram, @ebu.lulu, e acessar o site atelies.pernambucopercussivo.com.br.
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