top of page

“O Irôko, a Pedra e o Sol” retorna aos palcos com temporada marcada por fé, homoafetividade negra e música afroancestral

Espetáculo pernambucano une teatro e música ao vivo para abordar homoafetividade, racismo religioso e ancestralidade, com apresentações no Recife e Sertão


O Irôko, a Pedra e o Sol é composto por musical com trilha sonora ao vivo. As letras são do diretor Samuel Santos, enquanto Beto Xambá e Thulio Xamba assinam a composição musical - Foto: Domarrrrrrr
O Irôko, a Pedra e o Sol é composto por musical com trilha sonora ao vivo. As letras são do diretor Samuel Santos, enquanto Beto Xambá e Thulio Xamba assinam a composição musical - Foto: Domarrrrrrr

O espetáculo “O Irôko, a Pedra e o Sol” ganha nova temporada em abril, com apresentações no Recife e em Salgueiro. Nesta sexta-feira (17), a montagem chega ao Teatro Hermilo Borba Filho, dando início à sequência de sessões na capital. Ao todo, são cinco apresentações no mês, com ingressos entre R$ 15 e R$ 30 no Recife e entrada gratuita no interior. A classificação indicativa é de 16 anos.


Criada pelo grupo O Poste Soluções Luminosas, a obra reafirma sua potência estética e política ao reunir teatro, música ao vivo, dança e narrativa afroancestral. Em cena, a montagem propõe uma imersão em temas como amor, fé, violência simbólica e resistência.


A circulação integra o projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”, que viabiliza a temporada no estado. Após a estreia no terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí, em Paulista, o espetáculo segue para o Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife, e encerra sua trajetória no Quilombo Conceição das Crioulas, em Salgueiro.



Amor e resistência no centro da narrativa


Sob direção, texto e concepção de Samuel Santos, a peça apresenta uma história de amor entre dois jovens negros, Severino e Sebastião, em uma comunidade quilombola marcada pelo apagamento de suas raízes ancestrais. Ao viverem uma relação homoafetiva, atravessada ainda pelo diagnóstico de HIV, os personagens enfrentam o preconceito, o isolamento e a violência estrutural.


A dramaturgia articula elementos da tradição oral, espiritualidade afro-brasileira e crítica social para tratar de temas urgentes, como LGBTfobia, racismo religioso, sorofobia e violência contra a mulher.


“É um amor que enfrenta o preconceito, uma fé que nasce da ancestralidade e uma narrativa sobre resistência”, resume o diretor.


Ancestralidade como linguagem estética

São 12 pessoas entre mulheres pretas e negras, assim como homens, que atuam, cantam e dançam coletivamente durante duas horas - Foto: Domarrrrrrr
São 12 pessoas entre mulheres pretas e negras, assim como homens, que atuam, cantam e dançam coletivamente durante duas horas - Foto: Domarrrrrrr

A abertura da obra é guiada por uma evocação simbólica do orixá Exu, situando o público em um território onde crenças foram historicamente silenciadas. A peça constrói, assim, um diálogo entre espiritualidade, memória e identidade, destacando o impacto da evangelização em comunidades quilombolas e o apagamento de práticas afro-indígenas.


Esse contexto não é apenas ficcional: a montagem dialoga com dados e relatos contemporâneos sobre o avanço de outras matrizes religiosas em territórios tradicionais, tensionando disputas simbólicas e culturais ainda presentes no Brasil.


Trilha sonora ao vivo e identidade pernambucana


Um dos destaques do espetáculo é a trilha sonora executada ao vivo, composta por 15 músicas autorais com letras de Samuel Santos e criação musical de Beto Xambá e Thulio Xambá, integrantes do grupo Bongar.


Inspirada por tradições como o Candomblé, a Umbanda, a Jurema Sagrada e a cultura Xambá, a sonoridade da peça evoca rituais, celebrações e cotidianos, conectando música e narrativa em cena.


Elenco e estética como afirmação política


Com um elenco formado majoritariamente por artistas negros, periféricos e populares, o espetáculo reforça a representatividade nas artes cênicas. Em cena, 12 artistas atuam, cantam e dançam, construindo uma experiência coletiva que atravessa corpo e voz.


O figurino, assinado por Agrinez Melo, também atua como linguagem dramatúrgica. A composição visual mistura referências africanas com elementos de rigidez ocidental, criando um contraste simbólico entre opressão e resistência.


Trajetória e reconhecimento


Desde sua estreia em 2022, “O Irôko, a Pedra e o Sol” vem consolidando sua relevância no cenário cultural pernambucano. Em 2023, foi um dos espetáculos mais aclamados do estado e, anteriormente, recebeu o Prêmio Sesc Nacional de Artes Cênicas.


A obra já circulou por diversas cidades e festivais, reafirmando seu compromisso com a descentralização cultural e o diálogo com diferentes territórios.


A estreia da nova temporada foi no no terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí, no município de Paulista (Região Metropolitana do Recife) - Foto: Domarrrrrrr
A estreia da nova temporada foi no no terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí, no município de Paulista (Região Metropolitana do Recife) - Foto: Domarrrrrrr

Programação: 



Horário: 19h


Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)


Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas



Horário: 17h


Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira) 


Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas



  • 25/04 (sábado): Quilombo Conceição das Crioulas (Salgueiro/PE)


Horário: 19h


Gratuito


Ficha técnica


Texto, direção, letras, cenário e iluminação: Samuel Santos


Idealização e produção geral: O Poste Soluções Luminosas (grupo e espaço)


Criação e produção da composição musical da trilha sonora (melodia, harmonia e arranjo): Beto Xambá e Thulio Xambá


Musicistas do grupo Bongar: Meme Bongar,  PH Xambá, Yngrid da Xambá, Beto 

Xambá e Thulio Xambá; percussionista convidado: Ninho Brow


Figurino: Agrinez Melo


Preparação musical: Surama Ramos 


Preparação de dança afro e direção de movimentos: Darana Costa 


Operação de luz: André Cordeiro 


Contrarregra: Núcleo O Postinho (Larissa Lira, Sthe Vieira e Cecília Chá) 


Fotografias: @ga_olho e @domarrrrrrr 


Elenco: Agrinez Melo, Ariel Sobral, Ester Soares, Fernanda Spíndola, Itioko, Jully, Lucas Ferr, Naná Sodré, Pedro Félix, Talles Ribeiro, Thallis Ítalo e Vanise Souza; é importante informar que Ester Soares divide a atuação com Larissa Lira


Realização: projeto “Luz negra: o negro em estado de representação” - Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes, entidade vinculada ao Ministério de Cultura do Governo do Brasil


Assessoria de imprensa do projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”: Daniel Lima


Comentários


bottom of page