top of page

O rap como ferramenta de auto-organização: 1ª edição de 2026 da Batalha da Escadaria terá participação de Jones Manoel

Edição especial “Pelo Direito ao Tempo” ocupa o centro do Recife em defesa do fim da escala 6x1 e da valorização da cultura periférica


A Batalha da Escadaria abre o calendário de 2026 reafirmando o rap como uma ferramenta de organização popular e da ocupação do espaço público. No dia 16 de janeiro, a tradicional batalha acontece em edição especial com o tema “Pelo Direito ao Tempo” e vai contar com a participação do comunicador e historiador Jones Manoel, fortalecendo o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o direito à vida para além da produção.


Com a participação de Jones, essa edição se insere diretamente na luta pelo fim da escala 6x1, que impõe jornadas exaustivas e escravocratas à classe trabalhadora. Entre os eixos da discussão também estarão as pautas do direito ao consumo e à produção de cultura e também a questão da saúde mental entre trabalhadores, defendendo que o esgotamento do trabalho precarizado impacta diretamente a vida da juventude periférica e impede o fortalecimento da cultura popular.


“As batalhas são a realidade nua e crua da periferia, dos morros, dos alagados, das favelas do Brasil”


Para o comunicador, as batalhas de rap cumprem um papel estratégico na organização popular e na preservação da memória da classe trabalhadora. Segundo ele, o rap nasce como uma cultura periférica e da população negra, que se auto-organiza e cria espaços próprios de expressão artística, especialmente para a juventude, sendo “o veículo mais importante para não deixar cair no esquecimento as barbáries e violências diárias contra os trabalhadores. O que a sociedade tenta esquecer, o rap não deixa. O rap está sempre lembrando”.


Crédito: @buzatto.raw. Na imagem, Jones Manoel.
Crédito: @buzatto.raw. Na imagem, Jones Manoel.

Jones complementa ainda que , desde sempre, o hip-hop foi pioneiro no debate sobre a questão racial e a violência policial no Brasil. "Pensem que a gente vive no Brasil uma onda neoliberal de mais de 30 anos, que tem como perspectiva a privatização e a mercantilização dos espaços públicos, em que nada pode ser de uso coletivo, só de uso privado. As batalhas de rap propõem uma outra dinâmica de apropriação do espaço público: de dar vida, de fazer da rua um lugar de produção de cultura e de memória da classe trabalhadora e da população negra que não aparece nos veículos mainstream, não aparecem nas grandes rádios, nos telejornais, nas telenovelas, nos livros mais vendidos. É a realidade nua e crua da periferia, dos morros, dos alagados, das favelas do Brasil.


É por acreditar no poder do hip-hop e da rima como linguagens revolucionárias que o historiador aponta como crucial a defesa e o fortalecimento contínuo de todas as batalhas e duelos de Pernambuco, principalmente a Batalha da Escadaria, uma das mais tradicionais do estado. "Elas salvam vidas e mostram que é possível outra relação com a cidade, com o território e com a cultura", afirma.


Luiz Carlos Ferrer, organizador e fundador da Batalha da Escadaria, destaca a importância da presença do mobilizador popular nesta edição: "Jones Manoel é uma voz potente no combate às desigualdades sociais e às diversas formas de exploração e exclusão. Ele vem se somar às vozes jovens, pretas e periféricas para bradar sobre a potência que é o nosso movimento como um espaço aglutinador de forças para a transformação."


Créditos: Thiago Paixão/Divulgação. Na imagem, Luiz Carlos.
Créditos: Thiago Paixão/Divulgação. Na imagem, Luiz Carlos.

Além de Jones, o evento também vai contar com a presença de Zé Brown, nome forte no hip-hop pernambucano e líder do grupo Faces do Subúrbio, em atividade desde 1992. Já a banca de jurados vai ser comandada por Ed Black, Fabidonas (referência na luta das mulheres no movimento) e Kabral.


SERVIÇO

Evento: Batalha da Escadaria - Edição Especial “Pelo Direito ao Tempo” conta com participação de Jones Manoel

Data: 16 de janeiro (sexta-feira)

Horário: 19h30

Local: Av. Conde da Boa Vista, esquina com a Rua do Hospício - Recife/PE


Comentários


bottom of page