PE Original Style fortalece o breaking em Recife com dança, educação e produção cultural
- Maddu Lima

- 6 de fev.
- 4 min de leitura
Ganhador do prêmio de melhor grupo de breaking de Pernambuco em 2025, o coletivo leva arte e educação por meio das danças de ruas
Idealizada em 2008, com o intuito de unir b-boys e b-girls das zonas Norte e Sul do Recife, a PE Original Style surge como resposta a uma rivalidade enraizada entre os territórios, uma divisão com a qual seus integrantes nunca concordaram.
A Manguetown Revista conversou com os B-boys Okado do Canal e Fábregas e a B-girl San, que falaram sobre como o coletivo e o breaking atuam na formação pessoal e coletiva por meio da dança.
"Quando isso tudo começou, o foco da zona sul era muito mais voltado para o style, uma pegada mais de estilo mesmo, de ser estiloso, e a galera daqui da zona norte era mais voltado pras acrobacias, movimentos com maior grau de dificuldade. Daí a gente começou a pensar, ‘meu irmão, vamos se unir, velho, a gente precisa aprender com vocês a ter mais estilo’ e acabou que a gente se uniu. A partir daí a gente foi ganhando várias competições" conta Okado do Canal." conta Okado do Canal, um dos idealizadores do coletivo.

Mais do que unir b-boys e b-girls de diferentes regiões da cidade, a crew carrega o desejo de deixar um legado e contribuir para a formação cidadã. O eixo educativo aparece de forma constante nas ações do grupo, por meio de oficinas, eventos e espetáculos voltados à formação de crianças e jovens, utilizando o hip hop e as danças de rua como ferramentas pedagógicas.
“A gente já atendeu mais ou menos umas 380 crianças. No começo, o foco era muito em formar artistas. Hoje, a gente se preocupa muito mais em formar cidadãos”, explica Okado. “A ideia é garantir que a criança continue sendo criança, com liberdade e privacidade, e, ao mesmo tempo, alimentar isso em nós também. A gente se vê nessas crianças. Quando elas realizam seus sonhos, a gente também realiza os nossos. É uma troca: o hip hop salvou minha vida, e o que eu faço pelo hip hop hoje é ensinar, trocar ideia com os pirra, estar junto.” completa

“Permitam que seus filhos façam aulas sem preconceitos, muitas pessoas infelizmente pensam que o breaking é coisa de gente errada, mas não é, graças ao breaking minha neta passou de uma criança que não participava de nada para uma criança que participa e se apresenta” relata Perla, Avó de Lhaylla, eleita a melhor B-girl de Pernambuco em 2025.
O breaking que se faz presente
Fabrício Lima, conhecido na cena como B-boy Fábregas, teve o primeiro contato com o breaking em 2009, no bairro Alto Santa Teresinha, onde mora. No entanto, só passou a competir em batalhas em 2012, período em que começou a se aperfeiçoar na dança.
" A gente entra pra batalha, não exatamente para vencer o adversário, mas vencer a nós mesmos. Porque a ideia da batalha é isso.” afirma Fábregas. “Existe o lado pessoal e também o coletivo. Você tá ali, treinando com o seu grupo, se preparando, e tem esse lance mesmo de família. Esse processo de se conhecer melhor como pessoa fortalece a vivência dentro do grupo. A batalha representa isso, para além da competição.” completa o artista

A relação de Fábregas com a PE Original Style começou em 2023, quando passou a realizar alguns trabalhos para o coletivo. A entrada oficial como integrante aconteceu em 2025.

Além de Fábregas, outras pessoas compõem a crew. Uma delas é B-girl San, que desde que chegou a Pernambuco teve sua trajetória cruzada com a da PE Original Style.O que começou com uma conexão entre coletivos, se transformou em algo muito maior.
“Hoje, além de trabalho, a PE se tornou uma família pra mim, é um misto de sentimentos que toda família tem" conta San.

Mais do que uma crew de breaking, a PE Original Style se constrói como um espaço de afeto, troca e pertencimento, onde diferentes gerações, linguagens e áreas do hip-hop coexistem.
"Ela é a melhor crew de Pernambuco, com suas variedades de b-boys e b-girls, tanto kids como adulto. Temos gerações dentro dessa família, temos várias áreas do elemento do hip-hop, tem DJs, MCs, fotógrafos, somos multiartistas." conta a B-girl
Em 2025, San atuou como jurada em diversos eventos de breaking no estado. Ocupar esse espaço a transformou em referência para outras meninas que estão chegando na cena. "Cada passo que dou eu vejo como uma responsabilidade muito grande. Fico muito feliz de estar conseguindo influenciar outras meninas no breaking que é uma área muito deliciosa, mas com muita resistência. Eu espero que nessa influência a gente consiga caminhar muito mais para arrastar mais B-girls para a cena. É um sentimento que ainda está em construção, sobre entender o quanto isso é profundo, ser referência pra alguém. Mas é muito satisfatório e fico muito feliz de poder trazer pessoas pra esse mundo tão lindo que é o hip-hop." explica.

Ser mulher na cena não é um trabalho fácil, mas há mudanças em curso. O acesso à informação e o amadurecimento da própria cena têm contribuído para um ambiente um pouco mais atento e responsável, mesmo que ainda longe do ideal.
O impacto do breaking na vida da B-girl é total. A dança se tornou trabalho, válvula de escape, cuidado com a saúde física e mental.
“Eu penso breaking, eu vivo breaking. Quase meu segundo nome tá virando breaking.” brinca San
Para geração futura, a artista deixa a seguinte mensagem:
"O breaking é resistência, o hip-hop é resistência, respeitem papai e mamãe e continuem que a caminhada é longa, mas é uma caminhada bonita. Temos muitas portas para serem abertas."
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