Poetisas do Sertão do Pajeú lançam vaquinha para viabilizar primeira turnê internacional em Portugal; veja como ajudar
- Thales Martins

- 22 de ago.
- 3 min de leitura
Coletivo Mulheres de Repente levará a tradição da Mesa de Glosas a festivais literários em Lisboa, Porto e Óbidos

A poesia oral do Sertão do Pajeú está prestes a ganhar novos palcos internacionais. O coletivo Mulheres de Repente, formado pelas poetisas Elenilda Amaral, Erivoneide Amaral, Dayane da Rocha Lira, Thaynnara Queiroz, Francisca Araújo e Milene Augusto, lançou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar sua primeira turnê internacional, marcada para outubro de 2026, em Portugal.
Idealizado e coordenado pela poeta Luna Vitrolira e produzido por Taciana Enes, o projeto levará a tradição da Mesa de Glosas a importantes eventos literários portugueses, reafirmando a força da poesia popular produzida por mulheres no Sertão de Pernambuco.
A maior parte da circulação já foi contemplada pelo edital de internacionalização da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Pernambuco). No entanto, despesas extras fizeram o grupo recorrer ao financiamento coletivo para completar o orçamento da viagem.
“Com a alta do euro, a gente precisou complementar a estratégia de arrecadação para que possamos viajar com segurança”, explica a produtora Taciana Enes.
Do Pajeú para a Europa
A circulação internacional inclui apresentações no Festival de Poesia de Lisboa, na Fábrica Braço de Prata, no Instituto Pernambuco, na cidade do Porto, e no Festival Fólio, em Óbidos. A proposta é apresentar ao público português uma das manifestações mais potentes da tradição oral pernambucana: a Mesa de Glosas.
Antes de chegar à Europa, o coletivo já percorreu importantes espaços culturais brasileiros. As poetisas participaram de eventos como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e a Festa Literária das Periferias (Flup), no Rio de Janeiro, além de apresentações em Recife, São Paulo, Brasília e outras cidades, consolidando uma trajetória dedicada à difusão da poesia popular do Pajeú.
A arte da Mesa de Glosas
Além de cordel e poesias em geral, a maior marca do coletivo é a Mesa de Glosas - um dos gêneros poéticos da arte oral de tradição do Pajeú que descende diretamente do repente.
Sem o acompanhamento da viola, as poetisas recebem um mote apenas no instante da apresentação e precisam criar versos de improviso seguindo regras rigorosas de métrica, ritmo, estrutura e rimas. É uma prática que exige rapidez de pensamento, domínio da linguagem e profundo conhecimento da tradição oral.
Embora seja uma manifestação centenária, a Mesa de Glosas foi, durante muito tempo, um espaço predominantemente masculino. Essa realidade começou a mudar em 20 de julho de 2013, quando Elenilda Amaral e Dayane Rocha se tornaram as primeiras mulheres a integrar uma mesa de glosas em São José do Egito, rompendo uma barreira histórica na poesia popular do Sertão.
13 anos depois, elas retornam à cena acompanhadas de outras quatro poetisas para apresentar essa tradição além do Atlântico.
Como apoiar a campanha
A vaquinha permanece aberta até outubro de 2026 e recebe contribuições por PIX, boleto ou cartão de crédito no site https://www.apoioamigo.com. Segundo o coletivo, os recursos arrecadados serão destinados às despesas que não são cobertas pelo edital, garantindo que as seis poetisas possam representar Pernambuco em segurança durante a circulação portuguesa.
A programação da viagem e novidades sobre a circulação podem ser acompanhadas nas redes sociais do coletivo, pelo perfil @mulheres_de_repente.
Serviço
Campanha de financiamento coletivo - Mulheres de Repente do Sertão do Pajeú
Objetivo: viabilizar a primeira turnê internacional do coletivo em Portugal
Período da circulação: outubro de 2026
Como contribuir: PIX, boleto ou cartão de crédito pela plataforma Apoio Amigo (https://www.apoioamigo.com)
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