“Só Podia Ser Mulher”, de Bione, exalta o protagonismo feminino no rap nordestino e reafirma a identidade da artista
- Isabelle Annes
- há 7 horas
- 2 min de leitura
A mixtape contém sete faixas autorais e retrata a trajetória da rapper na cena pernambucana

Lançada no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, a mixtape “Só Podia Ser Mulher”, da rapper Bione (@b.i.o.n.e), nasce como um protesto que evoca a potência e a importância do empoderamento feminino na cena do rap nordestino. Disponível em todas as plataformas de streaming, o projeto se apropria de uma frase muitas vezes utilizada para descredibilizar as mulheres, modificando o sentido da expressão como forma de manifesto.
“Quando eu escolhi o título da mixtape foi com o intuito de fortalecer um movimento que já está em curso no Brasil, que é o movimento de empoderamento das mulheres que não aceitam mais o apagamento. Com esse trabalho, faço coro com outras mulheres que já fazem a música rap acontecer com verdade”, explica a cantora.
Mulher preta, nordestina, lésbica e periférica, Bione traz em suas faixas um relato das suas vivências como uma rapper da Zona Oeste do Recife. “A desigualdade de gênero é uma realidade escancarada no país, principalmente no rap, mas, hoje, já temos mulheres sendo mais ouvidas, cogitadas para programação de festivais e acessadas por um público com ouvidos atentos ao empoderamento delas na sociedade”, pontua.

Ela inicia seu terceiro projeto musical com a faixa “Rap de Mina”, que segue com uma provocação central: “Quantas rappers você segue do Nordeste?”. A artista realiza uma provocação sobre essa falta de visibilidade das artistas nordestinas no rap e reforça a importância de preservar as identidades femininas dentro do cenário cultural nacional.
Seguindo pelas composições, na faixa “Só Podia Ser Mulher”, a cantora reafirma seu lugar enquanto artista da Zona Oeste, evocando os bairros e pessoas da região, refletindo sobre o seu processo de autoconhecimento. Além disso, Bione também aborda sobre a questão da sexualidade na música “Só te aproveitando”, onde faz uma declaração para outra mulher, sendo a única composição da mixtape que traz uma pegada mais romântica.
Começando sua trajetória aos 11 anos de idade, Bione já lançou alguns projetos, como a mixtape “Sai da Frente”, o álbum visual “EGO” e o livro de poesia “Furtiva”. SPSM é a terceira obra que a artista lança com o selo Aqualtune, uma produtora preta com foco na carreira de artistas periféricos. Após oito anos de história, “Só Podia Ser Mulher” vem como um divisor que reafirma a identidade artística da rapper e incentiva a valorização do protagonismo feminino em uma cena musical majoritariamente marcada por homens.
Ouça “Só Podia Ser Mulher”
.png)