“Muro”, de Orikii e Matheus de Bezerra, traz o corpo como território e constrói uma arquitetura da sobrevivência
- Maddu Lima

- há 16 horas
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A faixa carrega uma letra visceral e uma melodia que sustenta a tensão e a intensidade da narrativa: “Eu sou tijolo grande tatuado e sigo sendo a cidade com muros pichados”
Lançada no último dia 26 de fevereiro, “Muro”, do multiartista Orikii e do cancionista e produtor musical Matheus de Bezerra, com produção de Chant, apresenta um flow rítmico que sustenta com precisão a força da letra e amplia o peso emocional da faixa.

Na faixa, o eu-lírico constrói uma narrativa em que as imagens urbanas não aparecem apenas como cenário, mas como extensão da própria carne. O corpo passa a carregar as marcas de uma cidade violenta e desigual, transformando-se em território simbólico.
Quando o artista canta: “Afirmação correta é que Deus é prefeito. E por isso que meu corpo anda cheio de buracos”, os “buracos” do corpo ecoam os buracos sociais, violência, desigualdade e ausência do Estado. Ao afirmar que “Deus é prefeito”, a canção tensiona fé e política, sugerindo que a única autoridade plenamente reconhecida é espiritual, e não institucional. É crítica, mas também consolo, um dos trechos mais marcantes da música, embora toda a faixa carregue um peso incalculável.
O refrão, em tom mais baixo e quase sussurrado, soa como uma confissão e traduz o conflito interno do eu-lírico. A canção aponta para a transformação de impulsos agressivos em expressão artística. A arte surge, então, como transmutação da raiva em linguagem.
“Muro” é um desabafo atravessado por vivência e exaustão, marcado por revolta e por resistência.
Ouça “Muro”
Conheça os artistas:
Ficha Técnica:
Beat/Mix/master: Chant @chant.__
Captação: Cordilheira @cordilheiraestudio
Direção de clipe: Domar @domarrrrrrr
Foto: Nina Xará @ninaxf
Edição de vídeo: Ronny Colors @ronny.colors
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