“A capoeira precisa de mais apoio e reconhecimento”: consulta pública convoca população para construir Plano de Salvaguarda em Pernambuco
- Leandro Lopes

- há 4 horas
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Iniciativa busca ouvir capoeiristas e sociedade até 5 de maio para fortalecer políticas de preservação e valorização da manifestação cultural
A população pernambucana tem até o dia 5 de maio para contribuir diretamente com o futuro da capoeira no estado. Está aberta a consulta pública online que vai reunir sugestões para a construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco, iniciativa conduzida pela Fundarpe em parceria com o IPHAN. A participação é aberta ao público em geral, especialmente capoeiristas, mestres, pesquisadores e admiradores da cultura popular.
Reconhecida como uma das mais importantes expressões de resistência afro-brasileira, a capoeira tem forte presença histórica em Pernambuco, consolidando o estado como um dos principais polos de difusão da prática no país. A consulta pública marca a etapa final antes da consolidação do plano, documento que vai orientar ações de preservação, valorização e continuidade dos saberes ligados à capoeira.
Para entender o momento atual da manifestação, a Manguetown Revista conversou com o contramestre Josias da Silva Xavier, conhecido como Furacão de Cristo Pernambucano. Pernambucano, ele hoje divide a rotina entre o trabalho como ambulante na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o acompanhamento das movimentações da capoeira no estado.

Mesmo afastado das rodas por questões de saúde, ele observa um cenário de transformação marcado pela maior união entre os praticantes.
“Hoje eu vejo a capoeira evoluir muito em Pernambuco. Os grupos estão mais unidos, há mais amizade entre os capoeiristas. Antes existia mais rivalidade, mais conflitos. Agora, há um movimento coletivo de fortalecimento, com mestres e professores levando a capoeira para outros espaços, inclusive dentro da política e da cultura.”
O reconhecimento institucional recente aparece como um marco importante para quem vive a capoeira no estado.
“A capoeira nunca teve um reconhecimento como esse que teve recentemente. Assim como o frevo, o forró e o brega, ela passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Pernambuco. Isso é uma conquista muito importante para todos nós.”
Os desafios, no entanto, seguem presentes no cotidiano.
“Ainda existe preconceito, falta de apoio e de estrutura. Muitos mestres e professores não têm incentivo para desenvolver seus trabalhos. A capoeira precisa de mais políticas públicas e reconhecimento como profissão.”

A trajetória de Furacão de Cristo na capoeira começou ainda na juventude, passando por diferentes grupos e mestres até alcançar o título de contramestre. Hoje, mesmo longe das atividades práticas, ele segue conectado à capoeira por meio de redes, debates e trocas com outros praticantes, uma vivência que também dialoga com o momento atual de escuta e construção coletiva no estado.
A consulta pública reforça a importância da participação popular na construção do plano. É a partir das contribuições da sociedade, como a do Furação de Cristo, que o documento pode refletir as necessidades reais de quem vive a capoeira no dia a dia, fortalecendo políticas públicas mais eficazes e inclusivas.
Além da escuta online, o processo também contou com fóruns presenciais em diversas regiões do estado, reunindo mestres, contramestres e praticantes. Entre as principais demandas estão políticas de memória, reconhecimento profissional dos mestres, criação de espaços públicos para a prática e maior inserção da capoeira nas escolas.

O Plano de Salvaguarda se configura como um compromisso coletivo. Sua efetividade depende da participação ativa da comunidade, tanto na construção quanto no acompanhamento das ações propostas.
A consulta pública está disponível online e pode ser acessada por qualquer pessoa interessada em contribuir com o fortalecimento da capoeira em Pernambuco. Participar é também um gesto de valorização da cultura, da história e da identidade do povo pernambucano.
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