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“A Margem do Rio” vence o Prêmio Especial do Júri em Locarno, na Suíça, e leva o cinema pernambucano ao centro do mundo

Estrelado por Caique Copque e Ítalo Martins, longa de Matheus Farias e Enock Carvalho é premiado em sua estreia mundial e transforma Recife, seus rios e manguezais em território de desejo, violência, identidade e resistência


O cinema pernambucano acaba de ganhar mais um capítulo de destaque no circuito internacional. “A Margem do Rio”, primeiro longa-metragem dos diretores pernambucanos Matheus Farias e Enock Carvalho, conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suíça, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. A produção fez sua estreia mundial nesta semana e foi o único filme brasileiro na principal competição do festival.


Trecho do Filme pernambucano 'A Margem do Rio'
Trecho do Filme pernambucano 'A Margem do Rio'. Imagem: Reprodução/ Filme

Ambientado no Recife, o longa mergulha em uma cidade atravessada por rios, manguezais, desejos e contradições. Na história, Izaquiel, interpretado por Caique Copque, trabalha como auxiliar de serviços gerais e, durante a noite, percorre o mangue em busca de encontros secretos. É nesse território entre o urbano e o natural que ele conhece Jeremias, vivido por Ítalo Martins, um pescador magnético que o conduz por uma jornada cada vez mais profunda pelo manguezal.


A paisagem recifense, nesse sentido, não aparece apenas como cenário. O rio e o mangue se tornam parte da própria narrativa, um espaço onde desejo, identidade, religiosidade e violência se encontram e entram em conflito.


Ao anunciar o prêmio, o júri destacou a força da obra como uma experiência marcada por “paciência, solidariedade, atração, violência, corpos, sexo” e por uma dimensão de horror erótico e mágico enraizada na tradição política do cinema brasileiro.



No elenco, além de Caique Copque e Ítalo Martins, estão nomes como Robério Diógenes, Carlos Francisco, Renna Costa, Enio Cavalcanti, Artia e Ísis Broken, reunindo diferentes trajetórias do cinema, da televisão, do teatro e da cena cultural brasileira.


Para Ítalo Martins, a conquista carrega ainda um significado especial por se tratar de uma produção pernambucana.


“A Margem do Rio” é um trabalho que me deixa muito orgulhoso, que me faz pensar o quão maravilhosos e criativos nós somos.

Caique Copque também celebrou a experiência de representar o filme em sua primeira exibição internacional, destacando a potência das discussões propostas pela obra.


A trajetória internacional de “A Margem do Rio” começa, assim, com um reconhecimento de peso. Mas, antes de chegar às telas de Locarno, o filme já carregava consigo um território: Recife, seus rios, seus mangues e os corpos que encontram nesses espaços maneiras de existir.


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