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15º Festival Afoxé Alafin Oyó celebra 40 anos de afrocentrismo e musicalidade negra em Pernambuco

Festejando canções autorais e decoloniais, evento conta com bancada de jurados composta por Edinaldo Xukuru, Robeyoncé Lima, Bell Puã e Mirtes Renata


A 15ª edição do Festival Afoxé Alafin Oyó marca um momento significativo para a cultura afro-brasileira em Pernambuco. Nesse sábado (7), a partir das 19h, em sua própria sede, localizada na Rua do Sol, no bairro do Carmo, em Olinda, o evento celebra os 40 anos de trajetória do Afoxé Alafin Oyó, um candomblé de rua símbolo da militância negra que se consolidou como referência na formação afrocentrada e na construção de uma musicalidade comprometida com a consciência política e com o  enfrentamento contínuo ao racismo na sociedade pernambucana.


No encontro, um grupo de oito compositores de músicas que exaltam a celebração da ancestralidade escritas exclusivamente para o festival vão apresentar suas obras e disputar o prêmio final, onde vão ser avaliadas as letras que mais conectam e tocam o público. O corpo de jurados será composto por Edinaldo Xukuru, Robeyoncé Lima, Bell Puã e Mirtes Renata, nomes que representam diferentes campos da luta e da potencialidade negra em Pernambuco.


O festival ainda vai contar com uma grande roda de festividade, reunindo o Afoxé Alafin Oyó com grupos da União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE), reforçando a irmandade e o caráter coletivo dessa manifestação cultural. O encerramento fica por conta do Coco Samba Maria, a agitação do Bloco Sombatuki e o samba reggae do Senzala Show. Além disso, a feira literária Xambá vai fortalecer a movimentação econômica de empreendedores negros, expandido o diálogo entre diversas expressões culturais.


Para a organização do evento, a longevidade do Afoxé Alafin Oyó se sustenta, sobretudo, na formação de novas gerações. Crianças que crescem dentro do grupo permanecem no coletivo, aprendem com a ancestralidade e, com o tempo, assumem funções de coordenação, direção e até liderança. É esse processo que representa o maior legado construído ao longo de quatro décadas: um ciclo contínuo de pertencimento e permanência.


Fabiano Santos, presidente do afoxé, afirma que chegar aos 40 anos é garantir que a memória da população negra continue sendo cantada, pensada e vivida. Segundo ele, o afrocentrismo presente nas músicas do Alafin Oyó é uma forma de provocar reflexão e de reafirmar que a população negra é sujeito da sua própria história. “A principal mensagem que tentamos passar em todos esses anos é a educação de uma cultura afrocentrada que seja traduzida no pensamento negro, refletindo nossa realidade em uma sociedade intolerante que ainda resiste, partindo da compreensão que o país que vivemos foi fundado por uma relação colonial e toda a equidade e isonomia são princípios constitucionais de ordem da nossa instituição. Hoje, o negro está atualizado, está na universidade e precisa estar também produzindo conhecimento a partir da sua vivência e do seu cotidiano”, assegura Fabiano.


SERVIÇO

Evento: 15ª Edição do Festival Afoxé Alafin Oyó

Local: Sede do Afoxé, Rua do Sol, 248, Carmo, Olinda

Horário: A partir das 19h

Entrada: Gratuita



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