Iury Andrew e Safira 081: quando a pista da Golarrolê vira espaço de formação e projeção no Recife
- Manu Gomes

- há 1 dia
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Em entrevistas à Manguetown Revista, DJs refletem sobre trajetórias atravessadas pela Gola; edição de 20 anos reúne Pabllo Vittar, Tati Quebra Barraco e artistas pernambucanos em celebração da cena

Antes de ser vitrine, a Golarrolê foi espaço de experimentação. Ao longo de 20 anos, a festa se consolidou como um lugar onde DJs, bandas e performers encontraram liberdade para testar linguagens, cruzar referências e construir identidade.
Nesse percurso até hoje efervescente, nomes como Johnny Hooker, Duda Beat, Martins, Uana, Joyce Alane, Priscilla Senna, Raphaela Santos e Banda Kitara passaram por essas pistas, que se tornaram ferramentas de uma cena diversa, híbrida e profundamente conectada com a cidade. Mais do que reunir artistas, a Gola atua como plataforma: conectando trajetórias, formando público e ampliando as possibilidades de circulação da música produzida em Pernambuco.
E no próximo dia 09 de maio, a partir das 20h, a festa celebra as duas décadas de história, com uma edição especial que reúne Pabllo Vittar, em turnê comemorativa de 10 anos de carreira, Tati Quebra Barraco, referência incontornável do funk brasileiro, além dos DJs Allana Marques (co-fundadora da Golarrolê — ao lado de Lucas Logiovine), Iury Andrew, Safira 081 e Orly.
Os ingressos já estão à venda e a expectativa é de mais um capítulo marcante na relação entre a Gola, artistas e público — daqueles fervos que não apenas acontecem, mas ficam na memória de quem vive.
Os ingressos estão disponíveis neste link abaixo: https://share.google/eeA1SBlXDfOYrZ4UZ
DJ Iury Andrew: oportunidade e trajetória nas noites

O DJ e produtor Iury Andrew é um dos nomes que cresceram dentro desse ecossistema. Em entrevista à Manguetown Revista, ele explicou que começou a tocar em 2018 e encontrou, na Gola, um espaço de projeção e pertencimento.
“A Gola e especialmente Allana Marques foram as primeiras a acreditar e abraçar meu trabalho. Quando conheci o clima das festas, entendi que queria chegar ali”, conta.
Desde então, passou por diferentes projetos do coletivo, como Brega Naite, Odara e Maledita (onde hoje é residente), além de desenvolver o Baile do Andrew em parceria com a produtora.
Estar no line-up da Gola20, segundo ele, é também um marco pessoal. “Significa que consegui alcançar um dos objetivos que tinha no início. São 20 anos de Gola e 8 anos da minha carreira com muito apoio deles. É muito gratificante.”
Para a noite, Iury assume um papel estratégico: será o responsável por encerrar a festa. “Vou pegar o público já naquele clima, depois do open bar e dos shows. Então a ideia é começar com os dois pés na porta”, explica.
O set promete uma imersão na pista mais popular e dançante: “Vai ter muita bagaceira, putaria, no melhor sentido da pista. Bastante brega funk, pagodão, funk… um set bem dançante, representando a vibe do Brega Naite.”
Safira 081: entre criação, performance e palco

Quem também integra o line-up é Safira Blue, drag queen, DJ, produtora cultural e curadora que constrói seu trabalho atravessando diferentes linguagens. Em conversa com a Manguetown Revista, ela aponta: a pista é espaço de criação contínua.
“Sempre precisei de um lugar pra colocar pra fora tudo que se acumula na minha cabeça. Produzir, performar, tocar — tudo tem a ver com criar”, afirma.
Com mais de 11 anos de carreira, Safira desenvolveu um som que transita entre o pop, o eletrônico e as sonoridades brasileiras. Para a Gola20, ela aposta em uma narrativa conectada com o momento da música nacional. “A gente está falando de uma festa com Pabllo e Tati, ou seja, o melhor da música brasileira. Meu set vem nessa linha: muito pop, muito funk, muita mistura.”
Ao levar sua arte para outros estados, Safira incorporou o “081” ao nome artístico como forma de marcar a origem e identidade.
“Entendi que precisava demarcar meu território. Pra quem chega na pista, já saber que Recife (PE) é de onde eu vim”, explica. A referência ao DDD da cidade se transforma, assim, em assinatura e afirmação cultural.
Line-up como continuidade de um movimento
Na edição de 20 anos, a Golarrolê explicita aquilo que sempre esteve no centro de sua proposta: a convivência entre diferentes escalas da música. De um lado, artistas que arrastam multidões; de outro, DJs e produtores locais que constroem diariamente a cena.
Ao reunir esses nomes no mesmo espaço, a festa reafirma sua vocação como plataforma. Um lugar onde o mainstream e o underground se encontram, onde trajetórias se cruzam e onde novos caminhos continuam sendo abertos.
Mais do que celebrar o passado, a Gola20 aponta para o que ainda está por vir. Porque, no fim, é na pista (entre graves, corpos e encontros) que a cena continua sendo criada.
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