Manguetown Revista lança podcast ‘Vozes da Cocheira’ sobre desapropriações provocadas pela construção da Ponte Cordeiro-Casa Forte
Série em três episódios acompanha a experiência de moradores da comunidade, discute os impactos das desapropriações e registra as transformações provocadas pela obra
A Manguetown Revista lança nesta terça-feira (22) o podcast “Vozes da Cocheira: memória, território e o direito de permanecer na cidade”, série documental em três episódios que acompanha as transformações vividas pela comunidade da Cocheira, no Recife, a partir da construção da Ponte Cordeiro-Casa Forte.

Produzido pela Manguetown Revista com financiamento do Habitat Brasil, o podcast parte das histórias de moradores e da análise de profissionais de diferentes áreas para investigar o processo de desapropriação, os critérios utilizados para definir as indenizações e, principalmente, o que acontece com as famílias depois que deixam o território onde viveram.
A Ponte Cordeiro-Casa Forte integra um conjunto de intervenções viárias que pretende criar uma nova ligação entre as regiões Oeste e Norte do Recife. Com 380 metros de extensão, a estrutura terá quatro faixas de rolamento, ciclovia e calçadas acessíveis. O investimento total informado pela Prefeitura do Recife é de R$ 218 milhões, sendo R$ 169 milhões destinados à ponte e R$ 49 milhões à requalificação do complexo viário da III Perimetral.
Para viabilizar o projeto, famílias que viviam na área de implantação da obra precisaram deixar suas casas. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, 124 propriedades e famílias foram atingidas pelo processo de desapropriação. O município afirma que as indenizações foram calculadas principalmente sobre as benfeitorias dos imóveis e que houve acompanhamento social durante as negociações e mudanças.
É justamente nesse processo que a reportagem concentra parte da investigação.
Entre a casa e a indenização
No primeiro episódio, “Custo da Desigualdade”, a série acompanha a discussão sobre os valores atribuídos aos imóveis e as dificuldades encontradas pelos moradores durante as negociações. A reportagem também discute como a ausência de regularização fundiária interfere nesses processos e pode deixar famílias em uma posição mais vulnerável diante de uma desapropriação.
No segundo episódio, “Invisibilidade Comunitária”, a reportagem volta ao processo que levou à saída dos moradores da Cocheira e discute a relação entre grandes obras públicas, poder público e população afetada.
O episódio recupera o momento em que a construção da ponte deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a fazer parte da rotina da comunidade. Também aborda as negociações com os moradores e a assimetria de poder existente entre quem precisa deixar a casa e quem conduz o processo de desapropriação.
O terceiro episódio, “Para onde vamos?”, acompanha o período posterior à saída das famílias.
A experiência de um dos ex-moradores mostra um caso em que a indenização possibilitou a compra de uma nova moradia. Mas a reportagem também evidencia um limite da própria apuração: nem todas as famílias aceitaram falar sobre o destino após a saída da comunidade.
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