Pela democracia e pelo direito de existir: Ballroom PE celebra 10 anos com edição política no Recife
Com arte, debates e ativismo, celebração reafirma a ballroom como espaço de resistência e enfrentamento ao fascismo
A cultura ballroom pernambucana ocupa as ruas com brilho, atitude e consciência política. Nesta sexta-feira (23), a partir das 17h30, a Praça da Várzea, Zona Oeste do Recife, recebe a celebração dos dez anos da Ballroom PE, com uma programação que une performances, competição, rodas de conversa e ações ativistas. Sob o lema “Pela democracia e hackeamento do cistema”, o encontro propõe transformar a arte em ferramenta de mobilização coletiva.

Ao longo de uma década, a cena ballroom em Pernambuco construiu espaços de pertencimento, criação e resistência para pessoas LGBTQIAPN+, especialmente pessoas negras e dissidentes de gênero. A cultura ballroom articula corpos, identidades e comunidades em torno de redes de cuidado, reconhecimento e disputa política.
A programação inclui a Pela Democracia Mini Ball, com categorias que levam o debate político para a passarela. Em New Face, o desafio é apresentar “o rosto para vencer o jogo”; em Runway OTA, a proposta é “pisar forte no fascismo”; e, em New Performance, a arte aparece como fonte de revolução. A disputa também abre espaço para o brega funk, com a categoria Brega Funk, além da categoria brega rasgado, que convida participantes a sarrar pela democracia, e para a comunicação, com Comm x Comm, intitulada “A Voz do Brasil”.
O dress code da celebração é vermelho, mas pessoas de religiões de matriz africana podem vestir branco. A orientação reconhece a diversidade de expressões e crenças presentes na comunidade, sem deixar de lado a identidade visual e política do encontro.
A mini ball terá júri formado por Statement Nukenin 007, UCL Ayana 007 e Trailblazer Mother Edson Guerreiras. A discotecagem fica por conta de Star Maria Versace, com condução de Mother Cosmus da Lama como chanter e Father Taurus Baixíssimo como mestre de cerimônias (MC).
Conhecimento, política e articulação coletiva
Além das performances, a programação abre espaço para o compartilhamento de experiências e a reflexão sobre os caminhos da cultura ballroom. Uma das rodas de conversa, intitulada “Hackeamento das Universidades com Tecnologias Transfuturistas”, reúne Nemesis Lima e Txakuenda para discutir as relações entre conhecimento, tecnologia e perspectivas transfuturistas.
Já o debate “Cultura Ballroom enquanto articulação política em 10 anos da cena em Pernambuco” contará com Ayana Marc Jacobs e Amamaku, propondo uma reflexão sobre a trajetória da comunidade no estado e as possibilidades de organização política construídas a partir dessa cultura.
A programação também prevê uma roda de commentator, elemento importante da ballroom, em que a narração, a leitura dos movimentos e a interação com a performance ajudam a construir a experiência coletiva da competição.
Democracia também se faz com cuidado
O compromisso político da celebração ultrapassa a passarela. A programação inclui uma ação ativista com o Gestos, organização não governamental que atua há 33 anos no fortalecimento de direitos e na redução das desigualdades, com trabalho relacionado à soropositividade, comunicação e gênero.
O encontro contará ainda com uma banquinha de Lula, ampliando os espaços de circulação de ideias e participação política durante a celebração.
Ao completar dez anos, a Ballroom PE reafirma que a disputa por visibilidade não se limita à ocupação de espaços artísticos. Ela passa pelo direito à cidade, pela produção de conhecimento, pelo enfrentamento às desigualdades e pela construção de outras formas de convivência.
Na Várzea, a democracia ganha corpo, ritmo e movimento. Entre looks, performances, debates e encontros, a ballroom mostra que existir também é um ato político e que celebrar a própria história pode ser uma maneira de disputar o futuro.
.png)




Comentários