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1º Festival de Jornalismo Manguetown debate cultura, política e os desafios da mídia independente

há 5 horas
4 min de leitura

Com mais de 30 participantes, evento celebrou o jornalismo cultural pernambucano e discutiu a essência e o futuro da produção autônoma


No último sábado (26), ocorreu o primeiro Festival de Jornalismo da Manguetown Revista, reunindo conversas sobre jornalismo cultural e suas diferentes vertentes. Ao longo do dia, foram realizadas mesas que discutiram cultura, política entre os jovens, a cena musical pernambucana e seus desafios, jornalismo literário, além de uma oficina sobre fotojornalismo.


Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Antônia Di Guimarães/ Manguetown Revista
Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Antônia Di Guimarães/ Manguetown Revista

O festival ampliou os debates com a participação de convidados e mais de 30 pessoas inscritas e selecionadas para participar da programação. A primeira mesa contou com a presença de Leandro Lopes, editor-chefe da revista; Luíza Bispo, responsável pela editoria de Cinema; e Eduarda Silva, editora de Culturas. Os três conduziram a abertura com o tema “A Manguetown em movimento: jornalismo, cultura e política”.

 

A conversa começou com um contexto sobre a construção do projeto, que atualmente tem cerca de três anos e meio, e sobre a ideia de criar um veículo totalmente focado na cultura pernambucana, voltado para o estado e dedicado exclusivamente às notícias e aos acontecimentos de Pernambuco. No início, Leandro relata que o projeto era algo mais “cru”, principalmente pela pouca experiência na área, mas que a vontade de criar algo com esse impacto impulsionou a iniciativa, que, naquele momento, era construída por estudantes da graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


Ao falar sobre o fazer jornalístico independente, Luíza destacou que sua motivação sempre esteve menos relacionada ao trabalho sem remuneração e mais à possibilidade de produzir sem uma linha editorial rígida, podendo experimentar sem estar presa a um modelo previamente enquadrado e direcionado.


Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Gabriely Calado/ Manguetown Revista
Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Gabriely Calado/ Manguetown Revista

“Gostava de pensar a Manguetown como uma revista escola, sem a rigidez de um veículo tradicional, trazendo a liberdade para nos encontrarmos na nossa própria escrita”, completa.

Durante o espaço aberto para perguntas, o primeiro questionamento foi sobre a dificuldade de construir um projeto sem apoio financeiro e sobre como seguir diante desse cenário. Em uma resposta conjunta, os editores citaram que a falta de financiamento também gera dificuldades para chegar a outros lugares e expandir a cobertura. Mesmo sendo uma revista com foco em todo o estado, nem sempre é possível ter acesso fácil a municípios mais afastados da Região Metropolitana do Recife.


Leandro reforçou que a essência do veículo está no vínculo com o território.


“Pautar a cultura independente de Pernambuco e manter essa troca constante com quem movimenta a cena é o que nos faz continuar. Mesmo sem investimento direto, o fato de as pessoas acreditarem no nosso trabalho e a vontade de fazer dar certo são os nossos maiores combustíveis”, afirmou.

Complementando a resposta, Eduarda citou que uma das vantagens de ser um veículo nichado está justamente na fidelização, na proximidade, na confiança e na conexão construída com o público por meio da relação estabelecida com o projeto e com os conteúdos já publicados e os que ainda virão.


Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Antônia Di Guimarães/ Manguetown Revista
Festival de Jornalismo da Manguetown Revista. Imagem: Antônia Di Guimarães/ Manguetown Revista

Na sequência, Luana, estudante de Jornalismo da UFPE, trouxe a segunda pergunta à mesa. Ela destacou a grande responsabilidade e o cuidado necessários ao lidar com a história do outro, ressaltando o compromisso de cobrir uma cultura plural. Diante disso, questionou como os editores equilibram a produção do veículo independente com o trabalho e a rotina pessoal.


Os integrantes explicaram que o projeto se sustenta a partir de uma relação de amizade e de um propósito compartilhado, o que permite flexibilidade e um diálogo transparente sobre prazos e prioridades. Os editores reforçaram a importância da comunicação direta no dia a dia para manter a sustentabilidade das produções.


A terceira pergunta abordou o futuro do jornalismo independente. Ao refletir sobre a trajetória do veículo, Leandro lembrou que, embora três anos e meio possam parecer pouco tempo, as transformações no fazer jornalístico foram muitas.


“Começamos na rádio e hoje estamos no podcast. A esperança não cresce apenas na Manguetown, mas em outros veículos independentes que também movimentam o jornalismo”, afirmou.

Completando a discussão, Luíza pontuou a importância das políticas públicas para o setor, destacando a necessidade de mapear quais forças políticas apoiam a cultura e o trabalho dos comunicadores independentes.


A quarta rodada de perguntas reuniu questionamentos sobre sustentabilidade financeira e alinhamento de expectativas para manter a iniciativa de pé. Também foi levantado o debate sobre o uso da inteligência artificial na comunicação.


Sobre o uso de IA, Eduarda foi enfática ao destacar o diferencial do trabalho humano e comunitário no jornalismo cultural.


“O que faria de nós diferentes? Não tem como pedir à IA para dar contextos culturais e camadas à troca, de sentir como uma entrevista pode mudar e transformar o rumo da pauta”, afirmou.

A primeira mesa apresentou parte da trajetória e dos desafios que marcaram a construção da Manguetown Revista e deu sequência aos demais debates do festival. Na programação seguinte, “Escutar e analisar: Desafios de cobrir a cena musical pernambucana”, participaram Mikhaela Araújo, Camila Estephania, Lenne Ferreira e Manu Gomes.


Festival de Jornalismo da Manguetown Revista pelas lentes de Antônia Di Guimarães




Festival de Jornalismo da Manguetown Revista pelas lentes de Gabriely Calado



Texto escrito por Caio Moraes, repórter da Manguetown Revista.

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