Às portas fechadas há mais de 40 anos, Cine Olinda recebe sessão de “Os Arcos Dourados de Olinda” do lado de fora e cobra reabertura
Evento neste sábado (19) terá exibição de curta, debate com candidaturas e assinatura de carta-manifesto
Fechado há mais de quatro décadas, o Cine Olinda volta a receber uma sessão de cinema neste sábado (19), ainda que do lado de fora de suas portas. A partir das 18h, o espaço, localizado aos pés da Praça do Carmo, será palco da estreia olindense de “Os Arcos Dourados de Olinda”, curta-metragem dirigido por Douglas Henrique. A programação também terá debate com candidaturas ao Legislativo e a leitura de uma carta-manifesto que cobra do poder público a reforma e a reabertura do equipamento cultural.

Organizado pelo coletivo Cine Olinda de Portas Abertas, o encontro dá continuidade à mobilização da sociedade civil pela retomada das atividades do cinema. A iniciativa reúne integrantes do audiovisual pernambucano, artistas e moradores de Olinda em torno de propostas para o futuro do equipamento.
Durante o evento, candidatas e candidatos convidados poderão apresentar suas propostas para o Cine Olinda e serão convidados a assinar uma carta-compromisso. O documento defende duas medidas principais: a criação de um Conselho Político-Artístico Deliberativo para acompanhar a reforma e a gestão do cinema e o compromisso com a destinação de emendas parlamentares para o funcionamento do equipamento, caso as candidaturas sejam eleitas.
A carta-manifesto também reivindica transparência sobre o estado atual do Cine Olinda, a captação e aplicação de recursos públicos, participação da sociedade civil nas decisões relacionadas à reforma e à gestão e uma programação pautada pela democratização do acesso ao audiovisual.
“Queremos mais do que a simples reabertura de um prédio. Queremos que o Cine Olinda volte a ser um espaço de cinema e de diálogo com a comunidade; um lugar de encontro, criação, formação e fruição cultural, construído por muitas mãos”, afirma Chico Ludermir, integrante da mobilização.
Quatro décadas de portas fechadas
Inaugurado em 1911, o Cine Olinda está fechado desde a década de 1970. Ao longo das últimas décadas, o equipamento se tornou símbolo das dificuldades enfrentadas pela preservação e pelo funcionamento de espaços públicos dedicados ao cinema em Pernambuco.
Em 2016, uma ocupação popular levou novamente atividades cinematográficas para dentro do prédio. Durante três meses, o espaço recebeu sessões e encontros ligados ao cinema pernambucano e nacional, aproximando diferentes gerações do equipamento.
Dez anos depois, uma sessão realizada pelo coletivo Cine Rua em 15 de agosto de 2026, na área externa do cinema, voltou a mobilizar realizadores e público em torno da reabertura do espaço. A iniciativa deu origem ao coletivo Cine Olinda de Portas Abertas, que passou a articular novas ações pela retomada do equipamento.
A carta-manifesto é assinada pelo Cineclube Cine Olinda de Portas Abertas, Coletivo CineRuaPE, Cinema Sem-Teto, Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas de Pernambuco/Associação Pernambucana de Cineastas (ABD/Apeci) e Mulheres no Audiovisual Pernambuco (Mape).
Manguetown Revista acompanha a espera
A situação do Cine Olinda também vem sendo acompanhada pela Manguetown Revista. Em novembro de 2024, o veículo publicou a reportagem “Cine Olinda: espaço fechado evidencia esquecimento das culturas em Olinda”, que recuperou a história do equipamento e ouviu moradores, artistas e integrantes da mobilização pela reabertura.
Na época, a reportagem também questionou o poder público sobre os planos para o cinema. A apuração identificou a destinação de R$ 1,9 milhão para a revitalização do equipamento e registrou a promessa de que a obra seria concluída em oito meses, além de buscar informações junto à Prefeitura de Olinda e ao então governo estadual.
Um ano depois, em novembro de 2025, a Manguetown Revista voltou ao assunto com a reportagem “Cine Olinda: um século de história e promessas não cumpridas”. O texto mostrou que o cinema permanecia fechado e questionou a falta de atualizações sobre a execução dos projetos de recuperação.
Naquele momento, a Prefeitura de Olinda informou à reportagem que estava em tratativas com a empresa vencedora da licitação para a contratação dos projetos complementares e afirmou que a recuperação do Cine Olinda era uma das prioridades da gestão municipal. A reportagem também procurou informações sobre recursos e sobre a participação do Governo de Pernambuco, mas não recebeu respostas completas aos questionamentos apresentados.
Agora, diante da nova mobilização da sociedade civil, a discussão sobre o futuro do equipamento volta ao espaço público. Para os grupos envolvidos na iniciativa, a reivindicação não se limita à reforma física do prédio, mas envolve transparência sobre os investimentos, participação social na gestão e garantia de que o Cine Olinda volte a cumprir uma função cultural na cidade.
Um filme sobre Olinda
Além do debate político e cultural, o público poderá assistir a “Os Arcos Dourados de Olinda”. Dirigido por Douglas Henrique, o curta estreou no Festival do Rio, em 2025, e investiga a história de que Olinda teria sido a primeira cidade do mundo a levar uma unidade da franquia McDonald's à falência.
A partir de arquivos, memórias e relatos, o filme revisita o episódio ocorrido no início dos anos 2000 e estabelece uma relação bem-humorada com a disputa política entre Luciana Santos e Jacilda Urquiza pela Prefeitura de Olinda naquele período.
A sessão deste sábado transforma, assim, a área externa do Cine Olinda em espaço de exibição e debate. Enquanto a tela volta a ocupar a frente do prédio, a mobilização cobra que o cinema também volte a funcionar por dentro.
SERVIÇO
Estreia de Os Arcos Dourados de Olinda + debate com candidaturas
Quando: sábado (19 de setembro)
Horário: 18h
Onde: Cine Olinda, Carmo, Olinda
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