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Ensaio da Manguetown Revista sobre moda e cultura pernambucana é finalista do Prêmio Sebrae de Jornalismo

Trabalho de Antônia Di Guimarães e Gabriely Calado concorre na categoria Fotojornalismo da etapa estadual da 13ª edição do prêmio


Um olhar sobre a moda pernambucana, suas raízes culturais e as possibilidades de reinvenção colocou a Manguetown Revista entre os finalistas da etapa estadual da 13ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo. O trabalho "Onde nasce o espetáculo", produzido por Antônia Di Guimarães e Gabriely Calado, fotografas do veiculo, concorre na categoria Fotojornalismo.


Trabalho de Antônia Di Guimarães e Gabriely Calado concorre na categoria Fotojornalismo da etapa estadual da 13ª edição do prêmio. Imagem: Acervo/ Pessoal
Trabalho de Antônia Di Guimarães e Gabriely Calado concorre na categoria Fotojornalismo da etapa estadual da 13ª edição do prêmio. Imagem: Acervo/ Pessoal

O Sebrae Pernambuco anunciou, nesta segunda-feira (17), os finalistas da premiação. Ao todo, foram 138 inscrições no estado, distribuídas entre as categorias Texto, Áudio, Vídeo e Fotojornalismo, além da categoria especial Jornalismo Universitário. Em todo o país, o prêmio recebeu 3.759 inscrições, quase 10% a mais que na edição anterior. Em Pernambuco, 23 trabalhos chegaram à etapa final.


Os vencedores serão anunciados no dia 26 de agosto, durante o Conexão Sebrae + Imprensa, no Cais do Sertão, no Bairro do Recife.


Uma história contada pela fotografia


O ensaio finalista tem como personagem central a artista pernambucana Allura, cuja trajetória na moda é atravessada pela cultura popular, pela experiência como artista drag e pela busca por uma linguagem própria. A partir dela, Antônia e Gabriely construíram um trabalho que utiliza a fotografia não apenas para registrar roupas e performances, mas para contar uma história sobre identidade, memória, criatividade e futuro.



Costurando desde 2019, Allura encontrou na criação de roupas uma forma de transformar referências pessoais e culturais em peças autorais. O interesse pela moda surgiu ainda na adolescência, influenciado pela ilustração e pelo desejo de desenvolver as próprias criações.

Sua relação com a cultura pernambucana também está presente na própria história familiar.


A proposta também estabelece uma relação com a sustentabilidade. O uso de tecidos orgânicos, o upcycling e a valorização do trabalho manual aparecem como caminhos possíveis para repensar a produção de moda em um cenário marcado pela crise climática.


Ao reunir essas diferentes dimensões, o ensaio apresenta uma personagem que transita entre referências populares, moda autoral, cultura digital e arte drag. O resultado é um registro de uma produção que transforma materiais, estéticas e referências em novas possibilidades de expressão.


Uma surpresa para a dupla


Para Antônia Di Guimarães, a classificação entre os finalistas chegou de forma inesperada. A fotógrafa conta que, embora tivesse confiança no trabalho realizado em parceria com Gabriely, não imaginava que o projeto chegaria à final diante da quantidade e da qualidade dos trabalhos inscritos.


Segundo Antônia, a indicação representa um reconhecimento importante para um trabalho que teve significado tanto profissional quanto cultural. Ela também destaca a sintonia entre as duas durante a produção.


“Gabi e eu somos uma ótima dupla, tivemos um pensamento muito similar de como queríamos retratar o tema”, afirma.


Para a fotógrafa, a experiência também chama atenção para a necessidade de maior valorização do fotojornalismo. A profissão, segundo ela, envolve desafios e incertezas, mas continua sendo exercida com dedicação por profissionais que acreditam na força da imagem como forma de comunicação.


“Esse prêmio me faz pensar o quanto o trabalho dos fotógrafos é importante e precisa de mais reconhecimento, pois é uma área muito difícil e incerta, mas que fazemos com muito amor”, destaca.


Antônia também atribui à Manguetown Revista um papel importante na realização do projeto, especialmente pela liberdade oferecida para desenvolver a proposta.


A notícia da classificação também surpreendeu Gabriely Calado. A fotógrafa afirma que acreditava na qualidade do trabalho, mas reconhecia a força da concorrência.


“Apesar de estar muito confiante com o nosso trabalho e acreditar no nosso potencial, estávamos concorrendo ao lado de muitos outros artistas e obras incríveis”, conta.


Para ela, a construção do ensaio foi marcada pela colaboração desde a elaboração da ideia até a execução. A sintonia entre Antônia e Gabriely permitiu que a proposta fosse desenvolvida de maneira orgânica.


A participação de Allura também foi fundamental para o resultado. “Ela foi de fato a alma desse ensaio”, afirma Gabriely.


A fotógrafa destaca ainda o suporte da Manguetown Revista, que, segundo ela, criou as condições para que a dupla pudesse experimentar e desenvolver uma narrativa própria.


“O apoio, incentivo e suporte da Manguetown foi o que tornou tudo possível, que nos deu asas e liberdade para criamos algo que une a fotografia e o jornalismo”, afirma.


Para Gabriely, é justamente a existência de uma história por trás das imagens que aproxima o trabalho da essência do fotojornalismo.


“O resultado de tudo isso foram imagens que não são apenas esteticamente bonitas, mas que carregam uma história por trás”, explica.


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