top of page

Janeiro de Grandes Espetáculos ocupa palcos da RMR com mais de 100 atrações e homenagem a Chico Science

Em sua 32ª edição, festival segue até 4 de fevereiro reunindo teatro, dança, circo, música e cinema em mais de dez espaços; nova montagem de Auto da Compadecida está entre os destaques


Expetáculo Tatu do Bem - Foto: Edu Scofi
Expetáculo Tatu do Bem - Foto: Edu Scofi

O Janeiro de Grandes Espetáculos (JGE) dá início a mais uma edição reafirmando seu papel como uma das principais vitrines das artes cênicas em Pernambuco. Realizado pela Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), o festival chega à sua 32ª edição com uma programação que ultrapassa mais de cem atrações, distribuídas em mais de dez espaços culturais do Recife, Região Metropolitana e interior do estado.


Neste ano, o JGE segue até o dia 4 de fevereiro, reunindo produções de teatro adulto e infantil, dança, circo, música e, pela primeira vez de forma permanente na curadoria, o cinema. 


Homenagem a Chico Science


Com o tema “Da Lama ao Palco”, o festival presta homenagem a Chico Science, artista central do Movimento Manguebeat, que completaria 60 anos em março. A reverência atravessa a identidade visual e co

nceitual da edição, reforçando o diálogo entre tradição, experimentação e cultura urbana — marcas que também atravessam a trajetória do JGE.


A abertura oficial aconteceu no Teatro de Santa Isabel, no último dia 7 de janeiro, data que marcou simbolicamente o início da maratona cênica.


A noite inaugural contou com a apresentação da violoncelista Michelly Cross, que levou ao hall do Santa Isabel o espetáculo Meso Mangue Potamos, uma travessia sonora que conecta os mangues do Recife ao Oriente Médio, incluindo releituras de músicas de Chico Science e Nação Zumbi.


Na sequência, o estilista recifense Marcelo Mendx apresentou a coleção “ANAMAUÊ – Ecoando a Revolução”, inspirada na estética do Movimento Mangue. Foi a primeira vez que o Janeiro de Grandes Espetáculos abriu espaço para a moda, consolidando o festival como plataforma de múltiplas linguagens artísticas. Entre os artistas que vestiram as criações esteve Louise, cantora, compositora e atriz, filha de Chico Science.


Paralelamente à abertura, a programação teatral já ocupava outros palcos da cidade. O espetáculo “Ophélia”, da Cia. de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, marcou o início da grade de teatro adulto no Teatro Hermilo Borba Filho.


Entre os principais destaques da programação está a nova montagem de “Auto da Compadecida – Uma Farsa Modernesca”, dirigida por Célio Pontes e Eron Villar. A releitura do clássico de Ariano Suassuna estreou no festival e segue em circulação por diferentes teatros ao longo do mês, reforçando o diálogo entre tradição dramatúrgica e linguagem contemporânea.


Apresentação de Memórias Póstumas de Brás Cubas - Foto:  Alex Silva Jr.
Apresentação de Memórias Póstumas de Brás Cubas - Foto: Alex Silva Jr.

Uma semana de diversidade cênica


Somente na primeira semana do festival, foram realizados 25 espetáculos em 29 sessões. A programação de teatro adulto reúne montagens como Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Alienista – Casa dos Loucos, Vossa Mamulengecência e O Último Cigarro, entre outras.


Já o teatro infantil apresenta títulos como Tatu-do-bem, Jeremias e as Caraminholas, A Princesa dos Mares e O Segredo da Arca de Trancoso, além de atrações circenses como Eu, Você e o Circo Alakazam e Nordestinados in Circus.


Na música, o festival reúne shows que vão do frevo às sonoridades contemporâneas, com apresentações como Maestro Duda – Uma Visão Nordestina, Mistura Nordestina, Poli – Da Raiz ao Canto e Pernambuco Arretado.


Frevo, formação e acesso gratuito


O frevo também ganha destaque com ações formativas e apresentações gratuitas. A Oficina Maestro Edson Rodrigues – Do Frevo ao Jazz, realizada na Caixa Cultural, e o espetáculo Maestro Duda – Uma Visão Nordestina reforçam o compromisso do JGE com a formação de público e a valorização dos mestres da cultura pernambucana.


Cinema estreia como linguagem fixa


Uma das novidades desta edição é a incorporação definitiva do cinema à curadoria do festival. A nova frente estreia no dia 2 de fevereiro, no Cinema São Luiz, ampliando ainda mais o alcance do Janeiro de Grandes Espetáculos e seu diálogo com o audiovisual.


Embora seja majoritariamente composto por produções pernambucanas — que representam 95% da programação —, o JGE também recebe espetáculos de outros estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Maceió, além de atrações internacionais da Argentina, Portugal e Eslováquia.


Os espetáculos ocupam espaços como os teatros de Santa Isabel, Parque, Apolo, Hermilo Borba Filho, Barreto Júnior e Capiba, além da Caixa Cultural, Casa de Alzira, Campo Santo e Cinema São Luiz. Cidades como Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Goiana e Limoeiro também recebem atividades do festival.


Ylana - Foto: Flora Negri
Ylana - Foto: Flora Negri

Homenagens e reconhecimento às artes cênicas


Além de Chico Science, o festival homenageia nesta edição José Mário Austragésilo e Severino Florêncio (teatro), Mestra Nice (dança), a Escola Pernambucana de Circo, Rose Mary Martins (ópera) e, na música, o Maestro Duda, pelo conjunto de sua obra.


Prêmio JGE Copergás


O reconhecimento à produção local culmina com o Prêmio JGE Copergás de Teatro, Dança, Circo e Música de Pernambuco, que será entregue no dia 4 de fevereiro, no Teatro do Parque. Ao todo, serão distribuídos 30 troféus, celebrando artistas, grupos e produções que marcaram o festival.


Serviço


32º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Teatro, Dança, Circo e Música de Pernambuco


bottom of page