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Pernambuco inclui pela primeira vez batalha de rimas da diversidade no circuito de seletivas para o Duelo de MCs

Mulheres, pessoas não-binárias e homens trans de todo o Estado terão a oportunidade de conquistar neste sábado (27) uma vaga na final estadual prevista para o dia 1º de novembro


Batalha da Liberdade. Foto: reprodução das redes sociais
Batalha da Liberdade. Foto: reprodução das redes sociais

Pernambuco recebe pela primeira vez uma batalha de rimas da diversidade como parte da seleção para o Duelo Nacional de Mcs. Organizado pela Batalha da Escadaria, o circuito estadual realiza este ano sua 13ª edição, inovando ao incluir uma seletiva exclusiva para mulheres, pessoas não-binárias e homens trans com objetivo de garantir a representação desse grupo entre os finalistas. 


 A batalha da diversidade é uma parceria com a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop em Pernambuco (FNMH2PE) e classifica duas pessoas para o Duelo Estadual de Mcs, que está previsto para o dia 1º de novembro. A competição acontece neste sábado (27), na programação do “Chama elas”, a partir das 13h, no Centro de Educação Popular e Assistência Social de Pernambuco (Cepas), localizado na comunidade da Vila Santa Luzia, no bairro da Torre, Zona Oeste do Recife. Além das vagas, haverá premiação em dinheiro para a 1ª e 2ª colocadas, pela Chama Elas Produções, e brindes surpresa.


Diversidade nas batalhas


O regulamento oficial do Duelo Nacional de MCs prevê a reserva obrigatória de pelo menos 25% do número total das vagas para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e PCDs em cada seletiva classificatória. Entretanto, a recomendação não tem sido suficiente para garantir a equidade de participação na competição.


O documento aponta também como “desejável” a realização de batalhas exclusivas para esse segmento da sociedade. Entre as 27 unidades federativas do país, apenas Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Roraima adotaram, neste ano,  as chamadas batalhas da diversidade como competições classificatórias para o Duelo Estadual. Já Piauí, Rio Grande do Sul, Amazonas e Mato Grosso participam do circuito com seletivas realizadas por batalhas fixas exclusivas para mulheres e pessoas trans. Espírito Santo e Pará ainda não divulgaram a lista de batalhas participantes até a finalização desta matéria.


A Manguetown Revista falou sobre o assunto na reportagem especial: “Mulheres no Hip Hop: a luta por espaço e reconhecimento nas batalhas de rima em Pernambuco”.


As artistas entrevistadas apontam desafios como machismo estrutural, insegurança e falta de incentivo como barreiras persistentes que dificultam sua participação nas batalhas de rima. Mesmo com o crescimento da presença feminina, é comum que MCs mulheres precisem se provar muito mais para obter reconhecimento em um ambiente historicamente dominado por homens. 

A MC N.I.X Machine, de Arcoverde, sertão do estado, relata histórias de colegas que desistiram de seguir carreira “quando essa menina saiu por conta do machismo na batalha, percebi que era um ambiente hostil”. Já Majesgabi, mulher trans, relata que precisa reafirmar sua identidade de gênero além de sua mulheridade, fruto de uma dupla invisibilização. 

Dificuldades práticas como a insegurança ao voltar para casa após as batalhas, risco no transporte público à noite, conciliação de tarefas domésticas, especialmente para aquelas que são mães solo, e também a falta de espaços acolhedores para a diversidade também são apontados como obstáculos.Maria Dinda, organizadora da Batalha da Liberdade voltada para mulheres e pessoas trans, destaca esse ponto: “Não é igual para uma mulher pegar ônibus tarde, não é igual para uma mulher botar a cara em uma batalha”.


Elas reivindicam 


N.I.X. Machine foi finalista estadual do Duelo de MCs em 2022. Foto: Thaylla Alves
N.I.X. Machine foi finalista estadual do Duelo de MCs em 2022. Foto: Thaylla Alves

N.I.X, Majesgabi e Maria Dinda endossam reivindicações de mulheres e comunidade LGBTQIAPN+ para garantir a equidade no cenário das batalhas, bem como nas competições estaduais e nacionais. 


A criação de batalhas exclusivas é um dos principais meios defendidos. Elas argumentam a importância de espaços próprios como forma de proteção e protagonismo, uma vez que esses ambientes funcionam como ponto de partida para fortalecer a autoestima e criar redes de apoio, sem a pressão e hostilidade comuns nas batalhas mistas. 


Além disso, o incentivo à organização e curadoria feita por um grupo diverso é outro elemento de destaque.  “Ter uma mulher no microfone é importante. Ter uma mulher como jurada é importante. Ter uma mulher que organiza é mais importante ainda”, afirma Maria Dinda.


As entrevistadas apontam como ponto de partida que, além de rimar, muitas mulheres lidam com jornada dupla, assédio, julgamentos estéticos e estigmas. Reconhecer isso é o primeiro passo para construir um ambiente mais justo e totalmente de acordo com os princípios da cultura Hip Hop.


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